• Denise Martins Silveira

A Folia acabou.

O carnaval termina oficialmente na quarta-feira ao meio dia mas, sendo o povo brasileiro um povo reconhecidamente festivo, a improvisação toma conta da festa estendendo o ponto do final da folia: a quarta não é mais respeitada como dia final oficial e a festança segue pela quinta, sexta, sábado e no domingo dá-se conta de que em algum momento o país necessita voltar à vida normal.

São dias de muita alegria e pouco compromisso e, a cada problema encontrado pelo caminho, imediatamente surge um bem-vindo improviso. Não precisar dar espaço à preocupação é a grande diferença entre o folião e o cidadão. No primeiro caso, todo improviso é aceitável, suportável, faz parte da folia: se a bebida não está tão gelada será consumida, se a fantasia estiver apertada com um pouco de boa vontade ela será vestida, se estiver folgada, amarra daqui, prende dali e fica tudo certo, se o calçado incomodar vale tirar, a qualidade do som não estando boa dá pra dançar, pois o que vale , afinal, é a vibração. O importante da folia é estar investido no papel de folião para tocar a diversão de qualquer jeito.

Porém, a triste constatação na semana seguinte a esse carnaval estendido é a amarga realidade de que quem foi folião estará agora investido no papel de cidadão e, como tal, precisará dos serviços públicos. Assim, ao contrário do carnaval, a administração pública não é brincadeira! Não cabe nesta o improviso, "o vale tudo", do “tanto faz”. Desde a limpeza do espaço público (que parece ser o básico mas, na verdade, custa muito caro ao contribuinte) até as grandes obras.Ao contrário, do"tanto faz" do carnaval os governantes estão obrigados fazer exatamente o que a lei determina ou autoriza, sempre sob vigilância do legislativo, que é o povo representado por seus escolhidos. Ditam também as regras nessa realidade que não é festiva, o Tribunal de Contas que acompanha gastos e contratos, afinal o dinheiro é do povo, e também o Ministério Público, este último menos acionado, porém, com histórico extremamente favorável aos interesses do cidadão.

O carnaval possui o poder de fazer com que o cidadão se torne folião e tenha a prerrogativa de relaxar, mas administrador público não! Seja em seu estado ou município, ou mesmo muito longe dele, o funcionamento da máquina não pode parar ou diminuir a qualidade de seus serviços. Por mais que essa cobrança ou percepção tenha dado uma folga carnavalesca, assim que a festa acabar, o folião que voltou a ser cidadão observará atentamente as condições dos serviços públicos sejam eles de competência da união, estado ou municípios. E o município, nesse caso, ocupa no coração do cidadão um lugar especial. Para sua cidade reserva um olhar especial afinal, é nela onde está sua rua, seu bairro, sua casa e é através do serviço público dela que o brasileiro marca suas consultas, leva seus filhos à creche, à escola, à praça para diversão, transita pelas vias. É também na proximidade da esfera municipal, que acompanhamos os abusos com gastos que não beneficiam a quem paga impostos, enfim, é ali que sente na pele o que cada governo oferece a seu povo.

Somente fazendo ao contrário do que faz o brasileiro nesta grande festa popular que termina, somente dando muita importância a cada detalhe, como profissionalismo, transparência e postura de quem governa, poderá o cidadão pensar em condições dignas de saúde, educação, segurança, emprego, vias e espaços públicos conservados.

Nas campanhas eleitorais esse temas fluem como leves marchinhas de carnaval, mas no restante do ano o folião que deu espaço ao cidadão sabiamente não quer mais brincadeira ou amadorismo. A folia acabou, o assunto é sério, mãos à obra!

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