• Denise Martins Silveira

Os dois lados da janela

Essa semana, vimos novamente pela mídia a abertura do prazo para deputados trocarem de partido, a conhecida “janela de troca partidária". Nesse período, os parlamentares trocam livremente de partido, deixando o cidadão confuso sobre o real motivo do político.

Como consequência, não é raro o eleitor estranhar ver aquele candidato que sempre defendeu uma linha ideológica, um estilo de governo e um líder partidário, começar a campanha defendendo, sem nenhum motivo aparente, coisas completamente diferentes e, muitas vezes, contrárias a tudo o que ele disse antes.

Conhecendo pela mídia a motivação de grande parte dos políticos brasileiros, o cidadão que trabalha, paga seus impostos e é obrigado a comparecer às urnas a cada eleição, participa menos do processo eleitoral e, quando participa presencialmente tem se decidido, cada dia mais, a anular seu voto ou votar em branco.

É difícil não imaginar que os deputados que fazem essa troca não o fazem por questões pessoais, que em quase sua totalidade, são interesses não republicanos. Mas as pessoas por uma certa conveniência fingem não perceber e seguem forte no propósito de reeleger o político. Alimentando assim um ciclo que faz muito mal ao eleitor, à democracia e aos menos favorecidos que vivem em uma sociedade injusta, desigual e covarde.

Em aproximadamente dois anos e meio, os eleitores voltarão às urnas. Dessa vez o voto é ainda mais próximo: serão escolhidos prefeito e vereadores. À exemplo do que ocorre com os deputados, os vereadores também têm direito à generosa janela. Porém, esta quando se abre mostra normalmente uma paisagem mais triste ainda.

Por estar o vereador muito mais próximo do eleitor, que tem ainda na lembrança a bandeira carregada na eleição passada, esses assistem o político local, que elogiava com toda sua força um candidato a prefeito, uma linha de trabalho, uma ideologia partidária específica voltarem ao cenário político fazendo muitas vezes, duras críticas a quem defendiam. A aposta feita é que o eleitor é pouco preparado, menos esperto que o político e tem memória curta.

Espero que essa janela dos deputados sirva como alerta e quem sabe possa o cidadão em seu município saber como agir não reelegendo deputados sem bandeira, sem serviços prestados em sua região ou os famosos políticos "copa do mundo", que chegam por nossas cidades apenas de quatro em quatro anos.

Ao agir com esse senso político, o cidadão terá cada vez mais preparo pra identificar também qual vereador está visitando seu bairro, ou está fiscalizando as possíveis mazelas do poder executivo. Com a escolha do candidato na urna, o eleitor confere àquele que elegeu poder, cargo público, status e altos salários. Para que esse cidadão abra novamente a porta de sua casa para o político escolhido, o mínimo que deve ser exigido dever ser atenção, trabalho e fiscalização dos atos do executivo. O cidadão que age com esse senso e não vende seu voto, cumprirá também um justo papel de fiscalizador.

Apesar de todas as suas imperfeições, acredito muito na democracia. O sistema democrático ainda é a forma de elegermos alguém que conhecemos, alguém como nós que nos convenceu que tem condições para o cargo, tem um partido e apresentou trabalho.

Assim, ainda que sobrem “janelas” de oportunidade para os políticos, se o cidadão fizer sua parte, faltarão votos aos oportunistas que só se lembram do eleitor no ano da eleição.

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