• Denise Martins Silveira

Direita e esquerda


Uma das notícias mais comentadas nos últimos dias em toda a mídia do país é, sem dúvida, a morte da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro.

Uma breve análise é suficiente para sabermos que o momento de caos que se encontra o estado é responsabilidade da esquerda, da direita e do eleitor.

Essa tragédia criou o ambiente ideal para que o foco fosse desviado. Seja por parte da mídia, que nunca havia dado chance para a vereadora sequer falar de seu trabalho, seja por políticos de direita ou de esquerda. Cada um a seu modo levantou bandeiras.

A mídia, reconhecendo depois que se foi tragicamente a vida da vereadora, descobriu que ela era, sim, muito importante para a sociedade fluminense.

Os políticos mais conservadores levantaram a bandeira do “diga-me com quem andas que te direi quem és”. E os liberais de esquerda, aproveitando para fazer apologia ao fim da polícia e citação aos direitos humanos, também usam o momento como trampolim a poucos meses das eleições.

Impossível não acreditar que existam pessoas querendo resgatar a ordem e paz no Rio de janeiro. Mas, infelizmente, a impressão é que cada força puxa a ponta da corda para um sentido, causando a impressão em alguns momentos que haverá mudanças na vida do cidadão e, em outros, causando a certeza que milhares de anônimos morrerão até que venha um caso de algum membro do judiciário, alguém da imprensa ou de alguém que tem mandato.

A sociedade acreditou que com a crueldade e covardia aplicadas nas mortes do jornalista Tim Lopes e da juíza Patrícia Aciolli, algo mudaria. Nada mudou! E agora, com a vereadora Marielle, a sociedade teria a chance de se unir e lutar com força por essas mudanças. Mas a sensação de que já vimos esse filme com o jornalista e com a juíza nos mostra um futuro não promissor, sob o aspecto de mudança, a partir do choque na sociedade, que já está adormecida.

É agonizante lembrar que, quando o assunto é morte violenta de pessoas sem projeção, as pessoas normais, um ou outro veículo de comunicação faz uma rápida cobertura, o estado apresenta suas desculpas, governantes mostram números animadores de mudanças que se iniciam e, no dia seguinte, a sociedade volta à sua rotina e familiares e os mais próximos da vítima, seguem suas vidas despedaçadas pela dor, saudade e indignação.

Enquanto não tivermos antes de políticos, cidadãos que de fato e direito tenham mandato mas usem mais a favor do povo e menos em seus projetos de poder, teremos menos pessoas que recebem dos cofres públicos para dizer que a vereadora servia ao crime, ou o outro lado usando essa morte para pedir o fim da polícia. A nossa sociedade não quer bandido morto, mas também não quer carinho em bandido. O cidadão quer que algo seja feito pelos poderosos detentores de mandato. Quer políticas públicas que diminuam o número de bandidos, sejam de colarinho branco com caneta, ou de camiseta com fuzil.

Na minha opinião, sem políticas públicas sérias e sem comprometimento da sociedade, a eleição novamente passará, os de esquerda e os de direita continuarão carregando suas bandeiras radicais e balas perdidas ou balas com endereço certo continuarão encontrando gente de bem, sem causar a comoção que causa quando atinge alguém de projeção.

De nada vale para a sociedade e familiares de vítimas, políticos defenderem teses quando, na verdade, quem deveria ser defendida é a sociedade. É ela que paga a conta, escolhe os representantes e sofre as consequências da inércia política, mas com as condições que tem, escolhe com boa intenção os de esquerda e os de direita. A verdade é que ambos estão decepcionando o estado do Rio de Janeiro e o Brasil.

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