• Da redação

Castração. Direito da população. Dever do Estado

Uma das situações que mais sensibilizam os amantes de animais ou as pessoas sensíveis é o abandono de animais pelas ruas das cidades. Eles vivem uma vida curta e de muito sofrimento e, geralmente, encontram a morte de forma trágica ou cruel. A castração é a melhor forma de se evitar tudo isso.

Cirurgia de castração - Foto: Adriane Ciluzzo

Todo tutor responsável já conhece os benefícios de se castrar cães e gatos. E todo tutor consciente sabe que é seu dever providenciar os cuidados veterinários de seu pet, incluindo a castração.

Quem pode pagar pela cirurgia, deve procurar o médico veterinário de sua confiança para castrar seu pet.

Mas, e quem não pode gastar com isso? Porque, vamos ser sinceros, não é em todo município que se encontra um médico veterinário disposto a considerar a castração um dever social.

Alguns o fazem. Cobram pela cirurgia apenas o valor de custo. Porque como todo procedimento médico, a castração também tem custos. Como anestesia, medicamentos, instrumental cirúrgico, paramentação e assepsia, a energia que mantém os aparelhos ligados, água, etc. E é exatamente por isso, que eles não podem fazer a operação sem cobrar nada do tutor.

Para quem não tem condições de castrar seu pet com recursos próprios, sobra a esperança do serviço público. E agora é lei. É dever do município ofertar serviços de controle populacional de cães e gatos, inclusive para animais que estejam em situação de abandono. Esses animais, inclusive, são responsabilidade do poder público (como referido no artigo 225, parágrafo 1º da Constituição Federal) e cabe aos municípios exercer essa responsabilidade através dos Centro de Controle de Zoonoses.

A lei, sancionada pelo presidente Michel Temer em 30 de março de 2017, dispõe exclusivamente sobre a política de controle de natalidade de cães e gatos. Ela versa ainda, sobre animais não domiciliados (ou seja, em situação de abandono), sobre prioridades às comunidades de baixa renda e sobre campanhas educativas de posse responsável.

Infelizmente, a lei não estabelece prazo para que os municípios se adaptem a ela e comecem a ofertar o serviço. Mas, em algum momento, isso tem que acontecer. Cabe aos munícipes se organizarem e cobrarem do poder público que o serviço seja estabelecido conforme a lei.

Controle populacional de cães e gatos

Uma das situações que mais sensibilizam os amantes de animais ou pessoas sensíveis é o abandono de animais pelas ruas das cidades. Eles sofrem, ficam doentes, passam frio, calor, sentem dor, medo, fome e, após todo sofrimento, geralmente encontram a morte de forma trágica ou cruel. Se não é por acidente, é por envenenamento.

Em vários países do mundo, a situação de animais de rua foi, se não sanada, pelo menos controlada com políticas públicas de qualidade e conscientização dos tutores.

Além da castração, os tutores são obrigados a manter um registro geral do animal que é como se fosse um documento de identidade. Além do microchip implantado sob a pele do animal com todos os dados do tutor. Todos mesmo. Dessa forma, se o animal fugir ou for abandonado, não importa o quão longe ele esteja de casa, as autoridades conseguem descobrir de onde ele veio. Tem país, como a Alemanha, que leva a tutela do animal tão a sério que eles têm até passaporte.

O mínimo que se pode esperar, aqui no Brasil, é que o controle populacional de cães e gatos seja levado com a mesma seriedade. Mas não é o que acontece.

Alguns anos atrás, a consciência política de nossos governantes parecia que estava seguindo o rumo certo. Para se promover, ou até mesmo porque levavam o assunto a sério, vários prefeitos investiram no controle da natalidade de cães e gatos oferecendo um serviço de castração gratuita, principalmente para comunidades de baixa renda.

Hoje em dia, o que se vê é o caminho reverso. Municípios que antes ofereciam o serviço, voltaram atrás. Mesmo com o serviço de castração gratuita sendo previsto em lei. Como é o caso de Ubatuba. Alguns municípios do Litoral Norte, ainda têm a política pública implantada, como Caraguatatuba e Ilhabela. Esta última foi além. Implantou o Centro de Referência Animal que oferece também atendimento veterinário gratuito e realiza exames como eletrocardiograma, ultrassom e raio x. Além de vermifugação e vacinação. Todos os serviços são gratuitos.

O resultado do descaso de políticos como os de Ubatuba se reflete nas ruas. Ninhadas abandonadas à própria sorte, animais doentes aos montes, protetores sobrecarregados e, principalmente, a circulação massiva de vírus como os da parvovirose, cinomose, coronavirose, rinotraqueíte felina, entre outros. E isso é preocupante porque as doenças podem atingir qualquer outro animal, principalmente filhotes em fase de vacinação, mesmo que ele tenha um bom tutor.

Porque a castração é tão importante

A castração é a melhor forma de se controlar a população de cães e gatos a médio e longo prazos. Os resultados demoram um pouco a aparecer, mas quando isso acontece, é visível até para quem não presta muita atenção no assunto.

Fica mais difícil de se ver animais abandonados à própria sorte e de se encontrar ninhadas abandonadas para morrer.

Mas esse não é o único benefício da castração.

Ela evita muitas doenças que podem acometer o aparelho reprodutivo dos animais. Entre essas doenças, estão o câncer de útero e de testículos e a piometriose.

E ajuda ainda a resolver problemas comportamentais, como a agressividade.

Mitos

A castração, infelizmente, ainda é cercada de alguns mitos. Como o de que as fêmeas devem ter ao menos uma ninhada antes de serem castradas. Isso não é verdade. O ideal é que sejam castradas antes ou logo após o primeiro cio.

Outro mito é o de que machos se tornarão tristes e frustrados por não poderem mais cruzar. Ao contrário dos humanos que interagem sexualmente por prazer, animais cruzam especificamente para procriar. O que impele o macho a ir atrás da fêmea são seus hormônios sexuais produzidos nos testículos. Quando são castrados, os testículos são retirados e a produção do hormônio interrompida. Se não tem hormônio, o animal não sente vontade de ir atrás das fêmeas. Mas continua sendo o mesmo animal feliz de antes.

Saiba mais sobre os benefícios da castração

  • Elimina o risco de câncer de ovários e útero em fêmeas e do câncer de testículos em machos.

  • Diminui o risco de câncer de mama em gatas e cadelas. Se o animal for castrado antes do primeiro cio, a diminuição é de 95%. Reduz em 90% as chances do macho desenvolver câncer de próstata.

  • Elimina o risco de doenças das vias uterinas, como a piometriose, uma infecção grave e bastante comum em fêmeas não castradas, que pode levar o animal a óbito rapidamente.

  • Elimina o risco de câncer nos órgãos genitais.

  • Elimina a excitação e a frustração causadas pela falta de cruzamentos, deixando o animal mais calmo.

  • Diminui o risco de fugas, atropelamentos e brigas com outros machos.

  • Gatos, tanto machos quanto fêmeas, ficam muito mais caseiros.

  • Acaba com a demarcação de território, através da urina, por parte dos machos.

  • Elimina os uivos, latidos e miados excessivos.

  • Acaba com as inconvenientes reuniões de machos no portão.

  • A urina dos gatos perde o odor desagradável.

  • Acaba com as crias indesejadas

  • Aumenta a longevidade.

  • O animal também pode ficar mais dócil, facilitando a interação e reduzindo situações problemáticas e reduzindo a agressividade.

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