• Denise Martins Silveira

Povo não é oposição


Estamos vivendo um momento no Brasil em que se torna difícil tentar definir com clareza a diferença entre oposição e situação. Ficou em um passado distante ou foi para a sepultura de alguns homens públicos que já nos deixaram, o tempo no qual este ou aquele eram claramente identificados por serem situação ou oposição.

O país avançou e as forças políticas se equilibraram ao ponto de vermos aquele que só sabia fazer oposição ter que governar e aquele que só sabia sobreviver politicamente governando, ter que ser do contra.

Causando, naquele momento, a impressão que homens e mulheres, cheios de seus ideais históricos, governariam com os princípios que os conduziram ao poder e que os que perderam o poder, fiéis a seus princípios, seguiriam vigilantes, fazendo oposição aos pontos divergentes com sua ideologia.

Infelizmente, nem mesmo os principais nomes da política nacional conseguiram atravessar a tão sedutora onda do poder fiéis aos seus princípios.

Desde o momento conhecido como redemocratização até os dias de hoje, quem tem o poder não tem oposição e quem faz oposição espera ansioso o momento de sentar à mesa com o poder e fazer parte dele. Assim, o poder é loteado e a visão crítica sobre todo e qualquer assunto fica adormecida até a próxima eleição. Porém, se naquele momento, o dono do poder tiver chances reais para se manter no cargo, ele seguirá forte sem oposição. Caso esteja evidente sua fraqueza, brotam os grupos de oposição, muitas vezes comandados por aqueles que até alguns dias compunham o governo.

Não é preciso entender ou gostar de política para observarmos esse comportamento na classe política brasileira. Esse modo de agir está nas esferas federal, estadual e municipal. Nessa última, sabemos nomes, conhecemos pessoas e vivemos as histórias. Nela, o cidadão anseia apenas que o básico seja feito, ou seja, aquilo que foi prometido em campanha.

O que começa a assustar agora, porém, é a suposta nova modalidade de desculpa para governos que não funcionam: a oposição do cidadão. Essa modalidade é um grave sintoma de incompetência do governante. Ele pode ter maioria no legislativo e bom relacionamento com as outras esferas de governo, mas por má gestão, não consegue avançar e, ao invés de organizar a casa de dentro para fora, procura colocar a culpa em uma oposição que não fez nada além de se manifestar nas redes sociais ou conversar com amigos comparando governos ou dando sua opinião sobre isso ou aquilo que, incompreensivelmente, não está funcionando, mas está custando caro ao pagador de impostos.

Se imaginarmos um governante como o responsável por um navio, ao olharmos a tripulação teremos uma impressão de onde essa embarcação quer ou pode chegar. Se o capitão teve o cuidado de analisar a vida, história e trajetória profissional de quem vai navegar com ele durante 4 anos, ainda que erre, tem margem para consertar, mas se encher o barco de piratas com bandeiras pessoais, se tiver ao seu lado opositores históricos apenas para pagar dívidas de acordos não republicanos, sabemos que culpar o povo não é uma solução inteligente. É o povo quem paga o salário do capitão incompetente e de seus piratas sem bandeira ou compromisso, travestidos de aliados.

Sendo situação ou oposição em um Brasil que já não sabe o que é isso, tendo um bando de piratas saqueadores ou um grupo de homens e mulheres com vontade de acertar, conseguindo cumprir o que prometeu ou tendo dificuldade por ter prometido sem responsabilidade, a única certeza que tenho é que quem está no comando precisa fazer o navio sair do lugar. Dar desculpas que não convencem ou transferir responsabilidade para o povo, só reforça a certeza que não só os tripulantes mas também o comandante formam um grupo de piratas saqueadores, sem responsabilidade ou compromisso. Nessa hora quem pode mudar o destino é a população, que paga a conta, sofre as consequências de um mau governo e tem que cobrar. Povo não oposição, é patrão!

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