• Fonte: G1

Ministro do Supremo Edson Fachin revela que família sofre ameaças

Relator da Lava Jato no Supremo falou sobre as ameaças em entrevista a Roberto d'Ávila, da GloboNews; Jungmann considerou situação inaceitável.

Edson Fachin durante entrevista - Foto: G1

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, afirmou que a família dele tem recebido ameaças. O ministro foi entrevistado por Roberto d’Ávila, da GloboNews. Luiz Edson Fachin é o relator da Lava Jato, responsável pelos principais casos da operação que estão no Supremo. Na semana passada, Fachin relatou o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi contra analisá-lo e contra conceder uma liminar até a conclusão do julgamento do mérito.

Em nenhum momento da entrevista, Fachin falou sobre o teor das ameaças, de onde teriam partido, ou as relacionou a algum caso concreto. Segundo fontes do Supremo, as ameaças começaram há duas ou três semanas. “Nos dias atuais, uma das preocupações que tenho não é só com julgamentos, mas também com a segurança de membros de minha família. Tenho tratado deste tema e de ameaças”, disse Fachin.

“O senhor tem sido ameaçado?”, perguntou Roberto d’Ávila?

“Ameaças que têm sido dirigidas a membros de minha família. Algumas providências que solicitei à presidente e também à Polícia Federal, por intermédio da delegada que trabalha aqui no tribunal, já estão sendo adotadas. Nem todos os instrumentos foram agilizados, mas eu efetivamente ando preocupado com isso e esperando que não troquemos a fechadura de uma porta já arrombada também nesse tema”, respondeu Fachin.

“O senhor se sentir ameaçado, o senhor e sua família, é uma coisa triste, é incabível”, diz D’Ávila.

“De fato, essas circunstâncias não são singelas, mas, em relação a mim, que aqui estou por ter respondido afirmativamente a este chamamento que a vida me fez, e eu sou grato à vida por isso, claro que a gratidão não é contraprestação, gratidão é ser grato à vida e a quem eventualmente nos chamou para colocar diante desse desafio. Gratidão não é contraprestação. Eu sou grato à vida por poder prestar esse serviço. Fico preocupado, sim, com aqueles membros da minha família que não fizeram essa opção e poderão, eventualmente, sofrer algum tipo de consequência. Mas eu espero que nada disso se passe”, afirmou Fachin.

A entrevista repercutiu imediatamente. O presidente da Câmara disse que é preciso proteger os ministros de qualquer pressão e repudiou as ameaças a Fachin.

“Se os ministros do Supremo, se o Judiciário não tem liberdade para julgar hoje – e hoje os casos mais claros são da Lava Jato, crimes do colarinho branco - mas amanhã eles também podem ter dificuldade de julgar casos do crime organizado, que também tomou conta de muitos estados brasileiros, e que, em algum momento, poderá existir julgamento no Supremo. Então, a gente não pode de forma nenhuma colocar em risco a independência das instituições, mas principalmente a liberdade de decisão do voto de cada ministro Supremo”, disse Rodrigo Maia. O presidente do Senado tratou a ameaça como um absurdo. “Vejo qualquer ameaça a qualquer cidadão brasileiro, seja ele ministro, seja ele qualquer pessoa, uma ameaça é sempre uma ameaça. Vida humana é a vida humana. Eu acho isso sinceramente absurdo que as autoridades estejam sendo ameaçadas”, afirmou Eunício Oliveira.

No início da noite, o ministro da Segurança, Raul Jungmann, disse que a Polícia Federal ofereceu escolta para Fachin, mas o ministro respondeu que, no momento, não há necessidade disso porque a presidência do Supremo está tomando as providências para garantir a segurança dele e da família.

Raul Jungmann disse que, por enquanto, a Polícia Federal não vai abrir inquérito, mas que duas equipes estão prontas para atuar se necessário.

“É grave, é inaceitável. Isso é uma ameaça que alcança todo o Judiciário, sobretudo num momento de uma decisão como essa. De forma que nós estaremos absolutamente prontos e preparados para atender não só o pedido do ministro Fachin, mas de qualquer outro ministro do Supremo Tribunal Federal porque, repito, isso não pode acontecer, isso é inaceitável, e é evidentemente uma agressão que tem que ser repelida”.

Em nota, a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, informou que, antes de vir a público a entrevista de Fachin, já tinha adotado as seguintes providências:

1) deslocou para Curitiba duas delegadas da Polícia Federal, especializadas em segurança, para todos os casos de magistrados ameaçados no país, para verificação de quais as melhores e mais eficazes providências deveriam ser tomadas; 2) autorizou o aumento do número de agentes para escolta permanente do ministro Fachin por servidor do setor de segurança do Supremo, além dos que já o acompanhavam em seus deslocamentos; 3) autorizou que o uso de segurança do ministro, em Curitiba, possa deslocar-se também para acompanhamento de familiares por ele indicados; 4) determinou à diretoria geral do STF examinar e adotar providências para aumento de número de seguranças para a família do ministro Fachin em Curitiba; 5) encaminhou ofício indagando a todos os ministros do STF sobre a necessidade de alteração e aumento do número de agentes de segurança para, se for o caso, a tomada das providências cabíveis.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, disse que as ameaças contra a família do ministro Edson Fachin são extremamente graves e devem ser tratadas com a máxima seriedade.

Segundo Lamachia, esse tipo de ataque não pretende atingir apenas o Supremo Tribunal Federal, mas todo o sistema de justiça e o estado democrático. O presidente da OAB disse que a apuração do caso deve ser prioritária e os responsáveis punidos exemplarmente. Lamachia relembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco e reforçou que os avanços do Brasil no combate ao crime devem ser preservados.

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