• Denise Martins Silveira

O Mecanismo


A maior operação de combate à corrupção da história, gerou no povo brasileiro todo tipo de sensação. Houve desde os que acreditassem no fim da impunidade até os que acreditassem em uma orquestração política para atingir esse ou aquele setor ou partido. A verdade é que quem viveu ou conhece a história recente desse país, percebeu claramente a corrupção sistêmica, um mal que está enraizado nas entranhas de nossa sociedade e que atinge desde o mais pobre passando pela maioria dos setores até chegar no mais rico. Lembrando que toda regra tem sua exceção mas, aqui no Brasil, sem dúvida a corrupção é a regra.

A famosa frase “o brasileiro gosta de levar vantagem em tudo”, dita por um ídolo do esporte induzia o brasileiro fumante a consumir uma determinada marca de cigarro. Na época, não havia entendimento que tanto o consumo do cigarro quanto a vantagem levada pelos espertos brasileiros custaria a vida de tantas pessoas. Os primeiros por fumarem, mesmo que naquele momento fumar fosse sinônimo de status e motivo de orgulho, os segundos porque a cada vantagem indevida, a cada pequeno suborno ou desvio, a cada mau exemplo, mais pessoas burlavam as regras sociais, jurídicas e fiscais, deixando como consequência a falta de aparelhamento em escolas, estradas e hospitais por exemplo. O que muitas vezes, custou um futuro melhor ou até mesmo vidas.

Com isso, a desigualdade social se tornou algo comum onde quem tinha poder e dinheiro vivia como um cidadão de primeira classe e o trabalhador comum, que vivia do seu salário, dependendo de escola, hospital e transporte públicos, passava o tempo à espera de que a coisa fosse melhorar quando seus filhos fossem adultos. Esperança que era transferida para os netos e por fim, terminava no caixão. Assim, atravessamos décadas. Independente do regime ou de quem estava no poder, a certeza absoluta era que, no Brasil, rico e poderoso não iria para a cadeia.

Um setor da Polícia Federal começou mais uma operação. Porém, desta vez teve a felicidade de ter no caminho um juiz que não tinha nada de anormal.

Era um juiz compromissado com a lei. O Ministério Público percebeu e fez sua parte. E a investigação avançou a níveis nunca vistos. Policiais, procuradores e o juiz pegaram desde mulas que carregavam os valores até os mandantes. Pegaram a maioria dos partidos, os empresários mais ricos e influentes enfim, a Lava Jato virou orgulho do Brasil.

Esse orgulho virou filme. O primeiro foi sucesso, virou também minissérie. A primeira temporada também foi um sucesso. Política para quem se envolve é apaixonante e paixão não se discute. Eu não tenho preparo pra discutir o filme ou a série no que diz respeito à questão artística, mas como quem assistiu e leu sobre a Lava Jato tudo que pude em tempo real, acredito que o Brasil precisa, sim, de mais operações e de mais divulgação Espero ansioso o próximo filme e a próxima temporada, desejando que um dia, quando um desses filmes passar na TV no horário vespertino, as crianças estejam em um país diferente a ponto de causar espanto e perguntarem aos seus pais se o Brasil se movia mesmo com esse mecanismo podre como mostra a arte.

O Brasil está mudando. Quem não perceber perderá o trem da história. Na esperança de levar vantagem, o ato de um juiz terá reflexo em toda sua categoria se o povo entender seu papel e mudar sua postura. Se cada indivíduo perceber que é uma engrenagem e que deve ser justo para receber justiça, funcionaremos e seremos o país que queremos para nossos filhos e e netos.

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