• Denise Martins Silveira

Arrogância administrativa

Para quem tem o hábito de acompanhar notícias diariamente é difícil não saber qual time de futebol venceu a última rodada, qual figurão da política nacional foi indiciado ou preso e também o que acontece na política dos municípios. Lógico que a vitória do time do coração nos traz certa alegria, que a vitória do rival, tristeza, a prisão do figurão nacional da semana nos deixa cada vez mais indignados, todavia, quando o assunto é no município, na nossa cidade, os sentimentos são mais intensos. Qualquer cidadão comemora ao ver a sua cidade bater recordes positivos na respectiva região, seja qual for o setor. Ter o hospital que mais faz cirurgias em determinada área ficando cada vez mais especializado, ver no esporte o nascimento de atletas nacionais ou mundiais saídos de escolas municipais, ter índices de desenvolvimento econômico, social, ambiental e cultural que sejam reconhecidos fora dos limites da cidade, ser o principal produtor de algo que seja visto como símbolo econômico da cidade, são exemplos, entre tantas coisas positivas, que um governo municipal pode criar, realizar ou apoiar. Quando o assunto é a administração nada é fácil. A dona de casa tem que administrar a soma dos salários que entram na casa. Na absoluta maioria dos lares brasileiros o valor do que deve ser pago acaba superando o que foi recebido. A administradora da casa vai cortar, substituir e usar toda a criatividade para não faltar o básico e, com sabedoria, amor à família e bom senso a vida segue, sempre avançando e na tentativa de melhorar. Quando os responsáveis por um lar são questionados pela família, principalmente pelos menores da casa, é natural que haja uma explicação das dificuldades e um chamamento à participação e entendimento da situação. Alguns pequenos sacrifícios serão feitos em benefício de outras coisas. Todos entendem, colaboram e a família segue a vida. Acostumado com isso o cidadão cresce, imaginando que o governo municipal pode seguir a mesma regra. O que nos causa indignação é ver, na mídia, matérias sobre administradores que, para atingirem o objetivo de governar, prometem o que sabem ser impossível. Mentem para agradar e conquistar o voto, criam esperança em quem já não a tem, alimentam sonhos, antevendo o pesadelo do eleitor, mas seguem firmes e, com raríssimas exceções, agradando ao pai da mentira e pedindo a vitória para Deus. Se isso causa uma confusão até para as forças do bem e do mal, dificilmente será saudável para o governo fruto desse comportamento. A situação fica mais revoltante ainda quando vemos na mídia um administrador culpar o povo pelos problemas. Lixo, por exemplo, é gerado pelo ser humano e os governos pagam cifras milionárias para recolher. Se o dinheiro é gasto, o lixo deve ser recolhido e não o povo culpado por produzi-lo. Mas, o cúmulo é a desastrada, arrogante e infeliz alegação de que o imposto pago não paga “nem dez por cento” do que é gasto. Ora, se é gasto, se não cai do céu e se o cidadão paga o valor que está impresso no carnê do IPTU, uma declaração de tamanho desrespeito mostra o erro cometido por uma sociedade que acreditou tão cegamente em promessas fáceis! A notícia de ontem mostra em Ubatuba a indignação com um salário de R$ 25,000.00/mês no hospital para resolver um problema de falta de recursos. Será que esqueceram que o povo é o patrão? Será que os padrões de limites foram apagados pelo poder? E, será que o povo está anestesiado ou poupando esforços pra cobrar a conta desse erro na próxima eleição? Enquanto o povo não entender que quem manda é quem paga a conta, a mentira para chegar ao poder e a arrogância no exercício dele rondarão nossas vidas de quatro em quatro anos.

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