• Denise Martins Silveira

Heróis por convicção


Foto Rovena Rosa Agência Brasil de Notícias

O Brasil amanheceu, no feriado do Dia do Trabalhador, com a notícia do incêndio e desabamento de um prédio de 24 andares no centro de São Paulo. Todas as emissoras de televisão faziam a cobertura. As maiores cobriam, ao vivo, cada ação da eficiente corporação dos bombeiros paulistas, o que ficou visível nas imagens do trabalho do sargento Diego. Entre uma e outra informação, a sensação de tristeza, comoção e indignação deu espaço ao espanto quando surgiram as declarações de um cidadão, que foi vizinho do edifício e se mudou por medo de um desabamento, explicando de forma clara e com provas documentais que havia feito, há anos, sua denúncia ao Ministério Público e, que depois de todas as explicações difíceis de convencer, em março deste ano o processo foi arquivado. Tudo estava certo para as autoridades naquele prédio.

Eu teria um leque extenso de assuntos sobre esse incêndio seguido de desabamento. Desde o abandono do prédio pelo Governo Federal, passando pela falta de fiscalização do município no momento da ocupação até a tragédia particular de cada um dos moradores. Mas, infelizmente tudo isso é normal. Tudo isso vemos na maioria das cidades. Basta o leitor imaginar a sua cidade e perceberá que tem alguma área pública com o destino no mínimo equivocado. Ou uma rodovia, um hospital, uma escola, um órgão ou entidade federal, estadual ou municipal, necessitando de cuidados, reparos e investimentos urgentes.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a coragem, determinação e atitude de um cidadão que deu exemplo a todos os órgãos públicos que negligenciaram a ponto de deixar essa tragédia acontecer. Sim, foi o cidadão Rogério Tadeu Balek, que teve a iniciativa que nenhuma esfera de governo teve. Também foi o senhor Balek que teve a coragem que faltou ao Ministério Público de São Paulo. Foi o vizinho Rogério que, por civismo, cidadania e bom senso fez o que todo cidadão, vizinho, eu ou você deveríamos fazer e não fazemos.

Fico imaginando se dezenas de pessoas tivessem perdido suas vidas. Até agora, apenas um jovem desaparecido com poucas chances de ser encontrado vivo, é considerado a única vítima. Cerca de 70 outros prédios na mesma condição podem, caso a tragédia se repita, apresentar um saldo trágico na maior e mais rica cidade do país. Dificilmente teremos outro senhor Rogério Tadeu Balek morando vizinho desses outros prédios ocupados. Deve a prefeitura agir rápido, deve a União controlar e dar destinação ao seu patrimônio, deve o Ministério Público pedir as medidas judiciais cabíveis ao Judiciário que deve cobrar a ordem nesses espaços.

Nesse final de feriado, imagino a tristeza que estão todos que acompanharam a notícia, mas me chama a atenção alguns grupos que separo, como nós cidadãos que vimos a notícia, todos os titulares de cargos públicos que se omitiram e de alguma forma deixaram acontecer, os bombeiros que fizeram seu papel e o cidadão que denunciou e mesmo assim viu acontecer o que ele tanto tentou evitar.

Que a lição maior seja a que foi dada pelo sargento Diego e o senhor Rogério Balek, ambos perderam a batalha que travavam para fazer o bem. Mas ambos são autores de ações positivas, dignas de serem lembradas e servirem como exemplo a funcionários públicos e a cidadãos brasileiros. Se cada um fizesse mais sua parte como eles fizeram, construiríamos uma sociedade melhor e mais justa. Que o conforto de um cargo público efetivo pare de significar comodismo e que a distância dos problemas de nossos vizinhos não se traduzam em covardia social.

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