• Denise Martins Silveira

Sábio Joaquim

A notícia da desistência do ex-ministro Joaquim Barbosa da corrida eleitoral para Presidente da República causou espanto no meio político. Mas, por ser uma decisão pessoal, foi respeitada. Causando, porém, muita especulação sobre quem se dará bem ou mal, quem ganha e quem perde. Com essa desistência gerou-se uma série de contas que envolvem paixão, poder, ambição e vários sentimentos humanos, menos a lógica. Aliás, quem disser que consegue usar a lógica no atual quadro político brasileiro está enganando a si e a quem acredita na conversa.

Quando vi o nome de Joaquim Barbosa para presidente tive uma mistura de sensações. Primeiro pensei, se ele ganhar, o Brasil terá alguém com uma postura que inibirá grande parte dos vendedores de vantagens pessoais ao dono do poder. Meu segundo pensamento foi: ele não cairá em armadilhas, é um homem com entendimento aprofundado das regras e suas aplicações e, por fim, não iria, nessa altura de sua vida e história, desconstruir seu nome e reputação.

Mas, logo despertei desse sonho dourado e lembrei que, antes dele ganhar, seu nome e sua reputação já seriam bombardeados por grupos profissionais de quase todos os concorrentes, e não serão poucos na eleição esse ano, que transformariam coisas banais em graves falhas.Essas eventuais falhas se amplificariam e pareceriam crimes contra a lei, princípios e a família. Por falar nisso, essa última também não seria poupada: filhos, pais, esposa e todos que são próximos ao candidato "apanhariam" com ele.

Caso ele fosse eleito seria pior ainda. Não é possível acreditar que o vencedor dessa eleição terá um futuro razoável. Em um país com 35 partidos e mais dezenas em criação, com movimentos sociais que querem qualquer coisa menos um acordo razoável, com uma população pobre, com pouca saúde pública, pouca educação pública e pouca segurança pública (mas que assiste todos os dias aos desvios e desmandos), com uma Justiça que tem o Supremo Tribunal Federal dividido nos debates sobre a Constituição, com um país que em boa parte fala em intervenção militar por desespero sem saber o que isso significaria, veríamos um Presidente pedindo a união de forças e percebendo que ela tem um custo altíssimo para a democracia e o bem estar do povo mais sofrido desse país. Nesse momento, seria tarde e nosso Presidente Joaquim Barbosa já estaria dentro do sistema.

O que mais assusta, contudo, é pensar que tudo isso tem sua versão estadual e municipal. A diferença está no fato de que governador e presidente são cargos disputados por pessoas com grande projeção. Com lastros financeiros e partidários muitas vezes inimagináveis. Por sua vez, para o cargo de prefeito, para o qual muitas vezes indicamos amigos, pessoas que conhecemos e desejaríamos ver o bom comportamento delas do dia a dia sendo aplicado na cidade, por maior que seja sua boa vontade, logo que essas pessoas organizam as suas equipes começa-se um processo de destruição da imagem, do nome e da história. No estado de São Paulo, um em cada três prefeitos teve as contas rejeitadas e, arrisco dizer, que nenhum saiu sem processos.

Não tenho dúvida de que a culpa não está em apenas um dos polos. Assim como nossa Corte Suprema se divide em dois grupos, seis entendem de uma forma e cinco de outra o mesmo texto que deveria, e parece ser, claro na Constituição, não me espanto com um Tribunal de Contas composto por um grande número de ex-políticos com as mais diversas motivações ter dificuldades de interpretar a nossa confusa legislação.

Não consigo imaginar um cidadão de bem que não tem paixão pela política, que não convive com o povo e que não tem muita noção de como é depender do poder público neste país, depois de pesquisar o que acontece com quem passa por uma campanha e, consequentemente, por uma administração pública querer ser candidato ao executivo e administrar uma prefeitura, um estado ou o Brasil.

Que Joaquim Barbosa não tem nada de bobo, não resta dúvida. Sua história de vida nos mostrou isso. Seres humanos são vaidosos e alguns controlam mais, outros menos a própria vaidade. Muitos candidatos, com os números de Joaquim nas pesquisas, já estariam fechando os olhos e vendo-se com a faixa presidencial no peito. Estamos falando de brasileiros natos, somos o povo do "jeitinho". Mas ele não se deixou levar pela vaidade e avaliou tudo o que envolve uma disputa para presidente. Esperamos que, no alto de sua razão e inteligência, ele possa de alguma outra forma contribuir para melhorarmos nosso Brasil.

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