• Da Redação

Centro cirúrgico recém-inaugurado permanece com atividades suspensas

Após controversa “inauguração”, pacientes não conseguem ser operados na Santa Casa de Ubatuba e necessitam buscar atendimento em municípios vizinhos.

Foto: Francisco Silva/PMU

Após uma semana da “inauguração” do Centro Cirúrgico da Santa Casa de Ubatuba, realizada pela administração do prefeito Sato na quinta-feira (02), os pacientes, entre os quais várias gestantes, precisaram se deslocar até o município de Caraguatatuba para serem devidamente atendidos. Sem o alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária desde a inauguração, o centro cirúrgico, que conta com três salas (obstétrica, cirúrgica e cirúrgica-ortopédica) não pode ser utilizado.

Marcos Costa e sua esposa, Jaqueline Costa, que foi removida do quarto da Santa Casa no último sábado, 05, manifestaram-se publicamente sobre as condições do hospital: “Infelizmente, Sr. Prefeito, este centro cirúrgico foi inaugurado somente no Facebook pois eu não pude ter meu bebê na quinta-feira pois a vigilância iria vistoriar ainda (o novo centro cirúrgico) e o antigo não poderia ser utilizado". A gestante, que estava no final de sua gravidez e já havia se internado, desabafa: “Sábado fui novamente para a Santa Casa e já estava no quarto com tudo preparado e, novamente me mandaram para casa. A hora em que a mulher mais precisa de atenção é tratada como bicho. Me senti impotente, pago impostos em Ubatuba e terei que ir para a cidade vizinha ter meu filho. Falta de humanidade e falta de respeito. Nos preparamos tanto para o tão esperado momento e aí te mandam se vestir, pegar suas malas e ir para casa. Muito triste”.

Outra munícipe, Aline Roberta, igualmente em suas últimas semanas de gestação, ouvida pelo Portal Costa Azul lastimou: “hoje (09), o meu obstetra me deu essa triste notícia. Não pode marcar nenhuma cirurgia por conta do espaço não estar liberado! Falsa inauguração e desrespeito com a população que conta somente com um centro cirúrgico provisório para emergência e urgência! É triste, mas é a realidade de uma péssima gestão!”

Curiosamente, em seu discurso inaugural, o prefeito destacou os progressos do município na área da primeira infância que cuida de crianças de 0 a 3 anos de idade. A realidade vivida pelas gestantes do município, porém, tem sido claramente muito diversa da anunciada na estratégia de comunicação da Prefeitura Municipal de Ubatuba.

Falta de transparência e remoções de pacientes em estado grave Maria Paula Carvalho, associada da Santa Casa de Ubatuba, também questionou publicamente a falta de alvará do centro cirúrgico: “questiono se todos os vereadores não deveriam ter fiscalizado as condições exigidas para o bom e seguro funcionamento de um centro cirúrgico antes mesmo de sua inauguração. Se por ausência do alvará da Vigilância Sanitária interditaram o antigo centro cirúrgico, não justifica acelerar a inauguração do novo. Transparência é fundamental”. Em nota de esclarecimento da Prefeitura, Roberto Tamura, Secretário de Saúde do governo Sato divulga parcialmente trechos da ata da reunião com a promotoria ocorrida na mesma data da inspeção sanitária, (03), feita no dia seguinte à inauguração do espaço, mas curiosamente, não esclarece sobre a existência do alvará sanitário. Ainda na nota, o secretário, natural de São Paulo, afirma que “filhos de Ubatuba” há muito já não nasciam no município. Mas contraditoriamente, o esclarecimento da Prefeitura dá publicidade ao auto de infração que proibiu as cirurgias, incluindo os partos cesarianos, datado de novembro de 2017. Ou seja, no final do primeiro ano tão cheio de expectativas e esperanças do governo Sato. Segundo nota da PMU, cirurgias de extrema urgência ou emergência podem ser realizadas. Outra questão que ainda permanece sem esclarecimento é a realocação interna de pacientes que ocupavam a Unidade de Tratamento Semi-Intensiva, espaço no qual foram instaladas as salas cirúrgicas. Segundo informações obtidas pela reportagem, um dos pacientes em estado grave veio a óbito após a transferência de local. Construído em 2006, o espaço onde está o novo centro cirúrgico abrigava 10 (dez) leitos de tratamento semi-intensivo, com planejamento para instalação de uma futura UTI. Contatados pela redação, até o fechamento desta matéria nem a Santa Casa de Ubatuba, nem a Secretaria de Saúde da Prefeitura se manifestaram sobre a falta do alvará de funcionamento e a paralisação das atividades do centro cirúrgico ou, tampouco, sobre a remoção dos pacientes.

[ Charge ]_______________________________

Deixe aqui sua opinião de tema e comentários

Obrigado! Mensagem enviada.

[ Últimas Notícias ]________________________