• Denise Martins Silveira

50 anos em 5


Juscelino Kubitschek de Oliveira com o famoso slogan 50 anos em 5 assumia a presidência do Brasil em janeiro de 1956. Um homem público dinâmico, comunicativo e feliz. JK surpreendeu todo o país com seu estilo alegre, popular e realizador. Iniciou a produção de veículos no país e desenvolveu regiões através da abertura de estradas. Fez com que o governo estivesse presente em toda parte e encarou um grande desafio: a construção da capital federal durante seu mandato. Obra essa que, em virtude de toda sorte de dificuldades, seus opositores tinham certeza que ele não conseguiria realizar. Mas JK foi um show, o presidente "bossa nova" que deu visibilidade ao Brasil e deixou para todos os políticos até os dias de hoje uma lição: é possível avançar quando se tem metas definidas e equipe com determinação e vontade.

Não é difícil para qualquer político no poder reunir pessoas, importantes ou simplórias, pobrezinhas ou ricas, mas com uma coisa em comum: estarem sendo beneficiadas pelo governo. Essas pessoas vão a eventos, batem palmas e, nos dias de hoje, brigam e defendem o indefensável nas redes sociais e causam a falsa expectativa que o governo está fazendo alguma coisa de positivo.

O problema é que na rua a sensação é outra. Somente a classe política não percebe. E fingindo estar tudo bem, recorre a eventos que são feitos de políticos para políticos ou a programas, discursos e entrevistas que mostram maravilhas de governos medíocres e com desempenhos pífios. Recentemente, na onda do falar o que está bem mesmo não sendo essa a sensação do povo, vemos o governo federal alardeando que foram dois anos para o Brasil comemorar. O brasileiro, por sua vez, acha engraçado, ridículo ou, simplesmente, despreza como uma defesa natural de quem não suporta mais ser feito de bobo.

O trabalho da mídia é muito eficiente quando acompanhado de verdadeiras realizações, sejam obras, serviços, benefícios ou qualquer coisa que demonstre ao eleitor que valeu a pena arriscar, valeu escolher alguém entre tanta gente que vendeu a ideia de que melhoraria o país, o estado ou a prefeitura. Mas o contrário acontece quando o presidente “vende" dois anos como se fossem diferentes dos últimos 20. Os governadores percebem que algo estava ruim quando analisam os números da pesquisa eleitoral e os prefeitos mergulham no ridículo quando, por falta de obras, serviços e cumprimento de promessas, criam circos e levam comissionados, prestadores de serviços e demais interessados nas benesses do governo municipal para aplaudir coloridas projeções. Esquecem de que quem vai julgá-los é outro público. É o povo que já perdeu a esperança nos políticos ou tem a certeza de que é preciso continuar tentando, mas a mudança de pessoas no poder é imperativa.

Seja o slogan de JK e seu legado que orgulha qualquer brasileiro que conhece a capital da república, ou seja o prefeito mais enganador que vier à cabeça do leitor nesse momento, fica claro que é possível, sim, elogiar quem de fato cria e não copia, realiza e não se apropria de realizações alheias, empolga e não paga para mostrar empolgação do povo apático. Enfim, alguém que tenha estilo de governo, alguém que faça com que o slogan seja respeitado e não seja mais uma piada de mau gosto que irrita o cidadão que assiste inconformado o desgoverno em áreas essenciais, mas é obrigado a pagar a conta de toda a festa, desde a lona do circo até a cara roupa dos palhaços.

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