• Denise Martins Silveira

Sou Brasil


Interior do avião que levou a seleção brasileira para a Copa da Rússia - Divulgação

Bandeiras, flâmulas e as cores verde e amarelo dominam as ruas de cada canto deste país. Alguém que esteja visitando o Brasil por esses dias sente algo parecido ao que sente um brasileiro que anda pelas ruas de qualquer parte dos Estados Unidos: a sensação de que lá as coisas acontecem porque o povo acredita, tem orgulho e amor pela pátria. A verdade é que grande parte dos brasileiros não sabe sequer a letra do nosso hino nacional. Sabe a escalação dos jogadores, suas histórias, os clubes em que jogam fora do país... Parece ser pré-requisito para um atleta ter que jogar fora e ter sucesso longe de terras brasileiras para representar quem aqui resiste bravamente aos desafios diários de um país que não controla a violência, tem a saúde doente, não tem emprego para milhões de brasileiros, sofre com corrupção quase generalizada, com uma sociedade injusta e com uma justiça difícil de ser entendida por quem mais precisa dela. Os noticiários mostram a importância do que os jogadores comem, como vivem, onde estão seus familiares, seus luxos, caprichos, carros, mansões, aviões e tudo que alguém de sucesso pode ter de melhor no planeta. Nesses dias são abafados ou minimizados os crimes, as dificuldades, não se noticia quem morreu por falta de remédio, falta de atendimento médico, violência no trânsito ou bala perdida. A dor na perna de um atleta da reserva é mais importante e tudo isso acontece com o aval desse mesmo povo que sofre, mas não deixa de comprar uma televisão com um valor caro a ser pago em diversos meses, tecidos e bandeiras tudo relacionado à Copa, afinal somos Brasil. Que bom seria se fossemos um país que nem se classificou para a Copa, mas que nossos hospitais tivessem vagas, medicamentos e médicos em número suficiente para atender a todos. Se tivéssemos escolas que ensinam e preparam, onde professores tivessem seu real valor na sociedade. Um país que a polícia pudesse trabalhar menos e com mais eficiência, em decorrência de um povo mais consciente, que os impostos não pesassem tanto no financeiro de empresas que se encolhem e não ampliam vagas de trabalho, que nós não estivéssemos na Copa mas que tivéssemos o orgulho de sermos brasileiros, não por conta de jovens milionários que viajam em aviões modificados e com ternos compatíveis com o luxo dos lugares mais requintados do primeiro mundo, mas que tivéssemos mais jovens tendo acesso a um ensino que os preparasse para trabalhar e crescer, que o Estado os amparasse antes do crime organizado. Enquanto seguimos usando as cores da bandeira apenas de quatro em quatro anos vamos deixando de entender o quanto é importante saber o valor da pátria, a sensação de lutar por um lugar cada vez melhor e mais organizado, onde viverão nossos filhos e netos e os filhos e netos deles, acreditando que será cada vez mais justo e equilibrado, onde o esporte seja importante e acessível nas mais diversas modalidades. Precisamos acreditar, independentemente de copa do mundo de futebol. Essa vai passar e como a de quatro anos atrás, aumentar a fortuna dos envolvidos diretamente no time, patrocínios, transmissão, atletas, divulgadores, cartolas, etc. Para eles, a Copa tem valor e importância, e muito! Independentemente de como esteja a situação do povo brasileiro. Acreditar que ter uma boa seleção de futebol jamais deve substituir termos bons legisladores, administradores e julgadores. Ter bons e honrados brasileiros que respeitem os outros brasileiros, e aprendendo a fazer isso, respeitem outros seres humanos e que logo percebam que devem respeitar o meio ambiente, e assim em poucas gerações, teremos uma nação que fará do Brasil um verdadeiro campeão. independentemente do resultado produzido nas competições de futebol jogada por jovens que lutam para esquecer como é a vida por aqui.

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