• Da Redação

Após 18 meses de apatia, vereadores de Ubatuba prometem fiscalizar e cobrar os atos do Executivo

Com a principal função de fiscalizar as atividades do poder Executivo, vereadores de Ubatuba abandonaram na noite da última quarta-feira (15), para alívio da população, o clima de “apoio incondicional” às ações do prefeito Sato que tem perdurado até agora.

Inauguração do Creta em 15 de agosto - Foto: Divulgação/PMU

Com críticas graves e contundentes, os vereadores Claudnei Xavier (PSDB) e Bibi Índio (MDB) tornaram públicas, na 21ª sessão de Câmara, inflamadas denúncias sobre possíveis desmandos e arbitrariedades do secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura. Os vereadores também demonstraram profunda indignação com a suposta má (e onerosa) administração da Santa Casa, atualmente requisitada pela Prefeitura.

Denúncias e Ministério Público

Com relação ao empreendimento construído em parceria com o Instituto Argonauta (CRETA Centro de Reabilitação e Tratamento de Animais), o vereador Bibi Índio disse não concordar com a condução dos processos que culminaram na construção do local. Segundo ele, a forma apressada como a doação da área pública, gigantesca e de alto valor econômico, foi feita ao Instituto Argonauta, presidido por um empresário da cidade, bem como, o tratamento constrangedor que vem sendo dado ao casal de zeladores que reside no local foram os principais pontos da indignação do vereador.

“Demorou-se muito tempo para que aquela área fosse retomada pelo poder público e, em questão de dias, em um procedimento que demoraria meses para ser resolvido, a área foi doada a um empresário da cidade que enriqueceu no ramo do entretenimento e de cuidar de animais recebendo milhões de reais por ano”.

Segundo denúncia do mesmo vereador, que pretende apurar os fatos oficiando o Ministério Público caso necessário, o advogado Eugenio Zwibelberg teria assediado moralmente o casal de zeladores residentes no local, coagindo-os, através da oferta de um montante financeiro, a deixarem a casa.

“Na prefeitura não se deve fazer balcão de negócios. Caso apure que o secretário realmente ofereceu dinheiro para que esse casal saísse da área, farei um pedido de informação para que o prefeito esclareça o fato. Se for o caso, o secretário será convocado pois, enquanto ele for secretário por aqui ele está sujeito à fiscalização da Câmara.

Retrocesso na Santa Casa

Segundo o vereador Claudnei Xavier, chegou a hora de cobrar que o único hospital da cidade seja administrado por profissionais que ganhem salários justos, de preferência, obedecendo o teto definido para o funcionalismo público que é de 15 mil reais. O vereador defendeu que a intervenção do hospital deve ser feita por "quem realmente deseja ver a situação da urgência e emergência do município resolvida”.

Bazar e cantina das voluntárias foram fechados - Foto: Divulgação Facebook

Ao pedir a palavra durante a sessão, o vereador esclareceu que acompanha a situação da saúde ao longo de toda sua carreira legislativa, e que percebeu nessa requisição a destruição de todo um trabalho que foi construído ao longo de anos. Segundo Claudnei, uma sequência de obras e melhorias que aconteceram na vigência do mandato do prefeito Eduardo César (2005-2012) como a construção da ala superior com novos leitos, a reforma da maternidade e da enfermaria e o aparelhamento da Unidade de Tratamento para pacientes graves estão sendo 'desfeitas' nesses meses de intervenção.

Segundo Claudnei, teria havido uma grande 'desestruturação' da continuidade das obras necessárias (reforma das salas de cirurgia na parte inferior, por exemplo) além da destruição quase que total do trabalho voluntário no hospital, já que hoje as voluntárias, que há mais de 30 anos têm contribuído para o desenvolvimento do hospital, estão a ponto de abandonarem o prédio da Santa Casa tendo em vista que o bazar e a cantina foram fechados. Os dois setores eram administrados pelo voluntariado. Ainda segundo o representante do Legislativo, o atendimento médico também sofre com o excesso de pacientes e o tratamento desrespeitoso por parte da administradora que não negocia condições dignas de trabalho e aumento de salários, mas, contraditoriamente, recebe ela própria R$ 25 mil dos cofres públicos.

“Não é o valor que se paga ao administrador, mas a vontade de realizar de quem está lá. Na verdade, ela (administradora da Santa Casa) não veio com vontade de realizar, mas sim de ganhar dinheiro”.

Resta saber se o Legislativo, após quase dois anos de governo, cumprirá seu papel de fiscalizador e atenderá os anseios da população que clama ansiosa pelas melhorias prometidas pela desacreditada administração do prefeito Sato.

Muitas melhorias na Santa Casa foram implantadas como o trabalho das voluntárias - Foto: Divulgação Facebook

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