• Danilo Sardinha, GloboEsporte.com

Líder do ranking, Filipinho usa premiações para ajudar projeto social em Ubatuba

Líder do Mundial de Surfe apadrinha entidade há cinco anos em sua terra natal, no litoral norte de São Paulo, e serve de inspiração para as crianças e jovens atendidas pelo projeto.

Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com

A mata da serra é o pano de fundo da realidade nas ruas do bairro Sesmaria, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Ao andar pelas vias de terra batida, em que buracos são incontáveis, é nítida a necessidade de várias melhorias. Em meio a esse cenário, destaca-se um portão todo colorido na rua Del Rey, nº 186. Em frente ao imóvel, há uma kombi também com cores vivas e que carrega uma marca nas portas: "#GO77".

Entidade e kombi chamam atenção no bairro Sesmaria, em Ubatuba (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

O imóvel e o veículo pertencem ao Projeto Namaskar, entidade social que atende crianças e jovens do bairro. A marca nas portas da kombi faz referência ao surfista Filipe Toledo, líder do mundial de surfe, que utiliza o número 77 no circuito. Filipinho é natural de Ubatuba e ajuda o projeto há cinco anos. No ano passado, o surfista repassou à entidade a premiação que recebeu do evento na piscina de Kelly Slater. A verba de 7.500 dólares serviu para ajudar na reforma da kombi e outras necessidades do projeto. Por isso, por iniciativa dos gestores da entidade, a marca foi colocada nas portas do veículo como uma forma de homenagem e agradecimento.

Rua Del Rey é reflexo das condições do bairro Sesmaria (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Nessa última quarta-feira, 5, a kombi colorida andou pelas ruas do Sesmaria. Desviava dos buracos com o destino à praia do Perequê-Açú, onde as crianças e os jovens que estavam dentro do veículo fariam aulas de surfe. O motorista era o professor da oficina, Marcos Santos, mais conhecido como Marquito. Antes da compra do veículo, ele e outros professores usavam os próprios carros para carregar os alunos.

A oficina de surfe é uma das 14 que são oferecidas pela entidade, que atende 300 crianças e jovens, com idades entre 5 e 20 anos, e pretende ampliar esse número para 400 até o fim do ano. O projeto existe há 13 anos, mas ganhou impulso com a chegada de Filipinho como padrinho.

– Com essa história do Filipe começar ajudar o Namaskar, foi dando visibilidade. Me impressionou bastante é que outros jovens nos procuraram. Uma das características de projeto social é atrair bastante idosos. Mas esse perfil do Filipe de ser surfista, jovem, quebrou um pouco isso e mostrou que todo mundo pode ajudar. Acabamos conseguindo grafiteiro para fazer a arte do projeto, voluntários para dar aulas de inglês. Começou ampliar muito o leque de voluntários, de gente que doa, seja um ônibus maior para um transporte ou seja bloco de construção para ampliarmos o espaço. Tudo isso acabou fazendo a máquina funcionar melhor – destacou a assistente social e coordenadora técnica do projeto, Erika Lunardi Longo.

Aulas de surfe para jovens do projeto Namaskar (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Inspiração para jovens

As cores chamativas do portão também estão no interior da entidade. Ali, as paredes carregam vários tons. Logo da entrada, é possível ver na parede ao fundo a imagem de Filipinho com ondas coloridas ao lado. É um mix de cores, assim como de oficinas gratuitas. Além de surfe, o local oferece aulas de música, ballet, informática, jiu-jitsu, entre outras. Há também oficinas aos pais para ensinar meios de gerar renda extra, como de corte e costura.

Entidade atende 300 crianças e jovens e, até o fim do ano, deve aumentar esse número para 400 (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Filipinho conheceu o projeto por meio da coordenadora Erika Lunardi, que é amiga de longa data da família do surfista. Nesses cinco anos, já ajudou o projeto financeiramente outras vezes além da premiação do evento na piscina do Kelly Slater. Mas o suporte não é apenas material. Ele costuma também enviar mensagens em vídeos para motivar as crianças e os jovens. Por meio do exemplo, tem conquistado jovens que seguem caminhos que não são o surfe.

– Vejo como inspiração (o projeto). Muitas pessoas que poderiam estar lá fora, hoje estão aqui treinando junto comigo. A maioria do pessoal que está aqui hoje começou junto comigo, aqui dentro. Tira pessoas da rua para dentro – disse Carlos Alberto Fernandes, de 16 anos, que faz aulas de jiu-jitsu.

– É legal ter ele como padrinho no projeto. Nos ajuda pra caramba. Gosto do surfe também. Surfava antes, mas não me identifiquei. Fiquei aqui no jiu-jitsu mesmo. Do mesmo jeito que ele está lá, um dia também podemos chegar – acrescentou.

Em outra sala, o jovem Anderson Gonçalves, de 15 anos, está tocando teclado na oficina de música. Ele é atendido pelo projeto há dez anos e vê na música um caminho para o futuro.

– Vim de Minas Gerais e apareceu a história de ensaiar com o Dutra (professor de música). Antes nem era aqui no projeto, era na rua, tocando lata, se divertindo. Eu ficava em casa brincando o dia todo de bater lata. Era muito legal. Como progredimos bastante com as músicas, com os instrumentos que conseguiram comprar, começou melhorar. (...) Pretendo levar isso para a vida toda, seguir uma carreira de música, com meus amigos e fazer várias coisas legais. Vou virar músico – afirmou.

Anderson Gonçalves chegou ao projeto com cinco anos (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Namaskar, que vem de Namaskara em indiano, é uma saudação de grande sentimento de respeito e gratidão. O projeto ganhou esse nome porque é filiado à AMURT-AMURTEL, uma organização mundial da Índia que está presente em vários países. A entidade foi fundada em Ubatuba por um casal de empresários, que comprou o terreno e construiu as instalações.

Imagem de Filipe Toledo está pintada em uma parede do projeto Namaskar (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

O projeto se mantém por meio de verbas da empresa do casal fundador, com repasses do governo federal e estadual por meio da prefeitura de Ubatuba, além de outros parceiros e do surfista Filipinho. Alguns funcionários são contratados, mas existem também voluntários. Ao todo, o quadro de colaboradores são de 30 pessoas para atender, num local cheio de cores, a comunidade.

Líder do ranking mundial, Filipe Toledo estreia nesta sexta-feira, 7, nas ondas artificiais da piscina idealizada pelo americano Kelly Slater em Lemoore, na Califórnia, Estados Unidos, pela oitava etapa da temporada.

* Colaboraram Bruno Pellegrine e André Bias, da TV Vanguarda

Aulas de ballet é um das oficinas (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

Alunos da oficina de música fazem apresentações na cidade (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)
Local também oferece atendimento odontológico (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)
Curso de costura é uma opção para adultos no projeto (Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com)

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