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Enfeites de Natal ainda chegam às praias do litoral norte de SP mais de um ano após queda de contêin

Cerca de 5 mil bolinhas já foram recolhidas em praias do litoral norte. Uma das preocupações é que plástico seja confundido com alimento pelos animais marinhos e seja consumido.

Bolinhas de Natal são encontradas nas praias do litoral norte de São Paulo — Foto: Instituto Argonauta/Divulgação

Mais de um ano após a queda de 46 contêineres no mar em Santos (SP), bolinhas de enfeite de Natal ainda chegam nas praias do litoral norte de São Paulo. O material estava na carga do navio Log in Pantanal. Por causa do acidente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou a empresa em R$ 50 milhões.

Segundo o Instituto Argonauta, cerca de cinco mil bolinhas foram retiradas nas praias de São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba desde o acidente em agosto de 2017. A empresa responsável pelo navio informou que faz rondas periódicas no mar para localização de resíduos.(leia abaixo)

A maior parte dos enfeites foi encontrada na época do acidente, mas elas continuam chegando às praias, principalmente de São Sebastião. Em média, 20 bolinhas são recolhidas por semana no litoral norte, segundo o Instituto Argonauta. Uma foi encontrada nesta segunda-feira (17) na praia Toque Toque Grande em São Sebastião.

Uma das preocupações é que o material plástico seja confundido com alimento pelos animais marinhos e seja consumido.

"Todo plástico pode ser confundido com alimento no mar e engolido pelos animais, o que pode levá-los a morte. Isso é uma coisa que a gente vem trabalhando ao longo dos anos, monitorando e tentando combater. Nos últimos três anos, dos dois mil animais encontrados mortos nas praias do litoral norte, 500 tinham engolido lixo", afirmou o oceanógrafo Hugo Gallo, do Instituto Argonauta.

Ao menos 29 caixas metálicas continuam desaparecidas, inclusive as que armazenavam os enfeites - outras armazenavam outros produtos, como eletrônicos e mochilas. As buscas foram encerradas sem que todas tivessem sido localizadas.

O oceanógrafo afirma ainda que os ambientalistas pretendem fazer um trabalho de busca para localizar o container e evitar prejuízos maiores por causa das bolinhas.

"Fazemos o trabalho de backtracking, que é acompanhar as correntes marítimas e traçar a rota das bolinhas para encontrar de onde elas estão vindo. Assim, dá para pedir que a empresa retire toda a carga do mar", contou.

Registro de como amanheceu a Praia de Maresias, em São Sebastião, após acidente em Santos — Foto: Antonio Marcos da Silva/Vanguarda Repórter

Em 2017, uma semana após o acidente, as praias do litoral norte foram cobertas de enfeites de Natal. Muitos moradores aproveitaram para recolher o que encontraram para incluir na decoração no fim de ano.

Todas as bolinhas recolhidas pelo Instituto Argonauta também são utilizadas para decoração de uma árvore de Natal que eles montam com os lixos tirados do mar. O objetivo é conscientizar a população para não jogar lixo nas praias.

Acidente

A queda dos contêineres ocorreu na madrugada de 11 de agosto, quando o navio estava no Fundeadouro 3 do Porto de Santos. A embarcação aguardava para realizar nova manobra para atracar em um terminal no complexo, de onde havia saído no mesmo dia após operar o embarque de caixas metálicas em outras instalação do cais santista.

Por segurança, o canal de navegação, que serve de acesso ao complexo portuário, foi monitorado por equipamentos que identificam objetos submersos. Por quase 24 horas, a via navegável teve que ser bloqueada. A Marinha do Brasil emitiu um alerta aos navegantes por causa das caixas metálicas no mar.

Aparelhos de ar-condicionado, mochilas, material hospitalar, pneus, toalhas e tapetes estão entre as cargas armazenadas nos contêineres que caíram na água e apareceram flutuando na região. Alguns compartimentos se romperam e parte da carga se espalhou entre a Barra de Santos e a região costeira das cidades.

Passados seis meses do sinistro, apenas 14 contêineres tinham sido recolhidos do mar, sendo nove na primeira fase da operação de remoção. Em fevereiro de 2018, novos equipamentos chegaram à Baía de Santos para continuar os trabalhos, que tiveram o apoio de um guindaste em uma balsa.

Outro lado

A Log-In, empresa responsável pelo navio, informou em nota que desde o incidente atuou incansavelmente, sob a supervisão do Ibama e Capitania dos Portos, para a localização e resgate dos contêineres lançados ao mar. "Neste contexto, a Companhia investiu pesadamente na contratação das mais modernas e avançadas tecnologias internacionais de resgate, numa operação complexa que reuniu equipamentos e técnicas de busca inéditas no Brasil", disse a empresa.

A nota diz ainda que a Log-In vem atuando de forma próxima às autoridades ambientais e portuárias para responder com brevidade quando de eventual aparecimento de novos resíduos, tendo cumprido fielmente com todas as medidas solicitadas e necessárias. Adicionalmente, a Companhia mantém rondas periódicas na região do acidente e vem contando com o suporte de parceiros locais a fim de garantir a limpeza de resíduos provenientes do incidente.

"Vale destacar que entre as cargas que caíram no mar não houve nenhuma declarada como perigosa de acordo com os critérios da IMO (Organização Marítima Internacional), isto é, que pudesse ameaçar o meio ambiente ou a saúde pública", concluiu.

Em um ano, cerca de cinco mil bolinhas foram encontradas na região — Foto: Instituto Argonauta/Divulgação

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