• Da Redação

Responsabilidade pública x responsabilidade social

As pessoas no Brasil costumam achar que tudo é responsabilidade do Estado. Mas não é assim que funciona. A sociedade civil tem deveres tão importantes quanto os seus direitos. Mas está bem longe de cumpri-los. Isso, na proteção animal, acaba colocando vidas em risco.

As pessoas no Brasil costumam achar que tudo é responsabilidade do Estado. Mas não é assim que funciona. A sociedade civil tem deveres tão importantes quanto os seus direitos. Mas está bem longe de cumpri-los. Isso, na proteção animal, acaba colocando vidas em risco.

Todo mundo já sabe ou ouviu falar que a responsabilidade sobre os animais errantes é do Estado. E todo mundo já sabe que o Brasil é um país em que a corrupção é endêmica e os agentes políticos são muito pouco comprometidos com a causa pública em geral. Com relação ao bem-estar animal é pior ainda, já que posam de simpatizantes da causa apenas para ganhar votos e depois esquecem que o assunto, e os animais, existem. Por isso, é sempre mais eficaz arregaçar as mangas e fazer o que precisa ser feito do que ficar esperando que algum órgão público ou político faça.

Cuidar dos animais é responsabilidade de todos. Cada um fazendo o que pode, mesmo que seja apenas alimentar o animal em situação de rua que vive no entorno da casa ou trabalho, já ajuda muito a melhorar a situação cada vez mais crítica.

As políticas públicas para o bem-estar animal têm que ser efetivas e não pontuais. E cabe à sociedade civil cobrar o poder público que elas existam e sejam aplicadas. Mas, mais importante, é fiscalizar se a aplicação dessas políticas está sendo bem feita. Não adianta nada fazer por fazer ou fazer de qualquer jeito. Para ter resultado, cada ação precisa ser bem feita.

Não adianta tirar o animal adulto ou filhote das ruas e jogar num canil, mesmo que exista algo que obrigue o poder público a fazer isso. Tirar o animal da rua e jogar num canil, onde ele ficará com quase 100% de certeza pelo resto da vida, no mínimo tirou a chance desse animal de ser acolhido por uma família. E, com certeza, irá esgotar rapidamente a capacidade de lotação do abrigo, causando superpopulação e surtos de doenças.

O trabalho tem que ser na base do problema. O incentivo às esterilizações de animais deve vir do poder público, oferecendo um serviço efetivo e permanente de castrações gratuitas para a população de baixa renda, mas deve também ser objetivo de médicos veterinários que não fujam às responsabilidades sociais. Oferecendo o serviço num valor mais baixo, ele cumpre com seu papel perante à sociedade e ainda ganha o cliente, que com certeza, voltará para vacinar o animal e se houver necessidade de algum tratamento veterinário.

Outro trabalho de base que não é exclusividade do poder público é o de conscientização sobre a guarda responsável de animais. Aqui, uma parceria entre poder público e sociedade civil teria muito mais abrangência e alcançaria muito mais resultados do que esperar, e continuar esperando, que a prefeitura ensine nas escolas. Na realidade, a parte de ensinar guarda responsável nas escolas deveria fazer parte da grade curricular, já que, na maioria dos lares, os animais de estimação fazem parte da família.

E, por esse motivo também, ela deveria ser assunto em agremiações e projetos sociais, tanto para as crianças, como para os adultos, atualmente, os grandes algozes dos animais de estimação.

Incentivar a adoção de animais adultos é outro ponto que precisa ser trabalhado. E isso começa na cabeça e no coração de cada pessoa. Na hora de adotar, todo mundo quer um filhote e esquece que ele vai crescer e se tornar parecido com aquele adulto com potencial enorme de dar carinho e que foi negligenciado apenas por ser adulto.

Todos temos direito, animais e humanos, de termos uma vida digna. Mas, para que isso aconteça de verdade para os animais, é preciso que as pessoas modifiquem seu modo de pensar. Animais não são coisas, são seres vivos e devem ser tratados com dignidade.

É preciso que as pessoas parem de achar que o poder público faz milagres, porque não faz. E nada é de graça, todo o dinheiro “público” é dinheiro que saiu do bolso dos cidadãos e deve voltar para ele em forma de serviços. Por isso, parcerias e fiscalização do poder público são importantes para se avançar em todas as áreas da sociedade e, também, no que diz respeito ao bem-estar animal. A sociedade tem que aprender a fiscalizar e a cobrar, mas também tem que aprender a fazer.

Nota: não existe lei que obrigue o poder público a recolher os animais em situação de rua. A lei hoje em vigor determina que apenas os animais doentes e/ou que ofereçam risco às pessoas sejam recolhidos para um canil municipal. E, apesar de não acontecer, toda prefeitura deve oferecer um serviço de controle populacional de cães e gatos, sendo a cirurgia de castração o método sugerido por ser o mais eficaz e o que oferece menos risco à saúde do animal.

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