• Poliana Casemiro, G1 Vale do Paraíba e Região

Biólogas pesquisam aumento de aparições de baleias jubartes no litoral norte de SP

De acordo com o núcleo, desde o início do ano foram registrados 253 avistamentos no arquipélago. Segundo as pesquisadoras, a região não faz parte historicamente da rota das baleias jubartes, que seguem da Antártica para a Bahia.

Baleias são flagradas nadando próximo de embarcação da balsa em Ilhabela — Foto: Julio Cardoso/ Baleia a Vista

Um grupo de pesquisadores quer entender o aumento da presença de baleias jubartes no litoral norte de São Paulo. Desde o início do ano, foram registrados 253 avistamentos no arquipélago.

Segundo as biólogas, a região não faz parte historicamente da rota das baleias jubartes, que seguem da Antártica para a Bahia nessa época do ano para a reprodução, mas a presença delas tem se tornado cada vez mais comum.

As pesquisadoras vieram para a região depois de perceberem a crescente na passagem de baleias jubartes por Ilhabela. De acordo com os dados, até 2014 apenas cinco baleias tinham sido vistas na região, mas em 2018 o número saltou para 43, o que deu início à pesquisa.

A temporada de migração acontece de abril a junho, quando elas nadam cerca de quatro mil quilômetros saindo da Antártica com destino à Bahia para a reprodução. Pelo mapa náutico, o caminho não contaria com a passagem pela região, o que é um desvio da rota e faz com que levem mais tempo para chegar ao destino final. Ao todo, o processo migratório leva cerca de dois meses.

Pesquisadoras fazem observação de baleias jubarte — Foto: Arquivo Pessoal

Com equipamentos de visualização, elas captam a rota e fazem imagens para analisar o comportamento. Durante todo o dia, elas fazem registros de jubartes pelo arquipélago de um ponto de cerca de 70 metros acima do mar.

Desde o início da pesquisa, foram registrados 253 avistamentos. O volume não corresponde ao número de animais, já que uma mesma baleia pode ser vista mais de uma vez dentro do raio de pesquisa. As imagens captadas vão servir para essa contagem posteriormente. O balanço desse volume ainda não foi divulgado.

A bióloga Marina Marques explica desde o início da pesquisa, a média de registros por hora é de 2,5. Uma das teorias da pesquisa é que o aumento no número de jubartes depois da proibição da caça, em 1986, somado às ações de preservação da espécie possa ter mudado o comportamento delas. De acordo com a pesquisadora, a população de jubartes saltou de 3 mil para 20 mil nos últimos 15 anos.

“Sabemos que o volume de baleias que passam pelo Brasil cresceu desde a regulamentação. O que queremos entender é se elas estão passando por aqui como um descanso para a longa viagem, se estão explorando a região e outros comportamentos”, explica a bióloga.

Pesquisa

O resultado da pesquisa pode não só esclarecer a incógnita no comportamento desses mamíferos marinhos gigantes, como nortear ações de cuidado com os animais e banhistas na região. A passagem de jubartes tem sido registrada não só por especialistas, mas também por banhistas. Na semana passada, baleias foram vistas próximo a balsa que faz a travessia entre São Sebastião e Ilhabela.

As pesquisadoras integram a ONG Viva Baleias Golfinhos e cia, em parceria com o Instituto Verde Azul. Elas estão há cerca de um ano em Ilhabela observando os mamíferos. A produção científica deponde de parcerias com outras instituições com material intelectual e técnico.

O custo de mensal de operação é de R$ 18 mil para manter as pesquisadoras e parceiros. Além do custo da produção científica, os núcleos de observação, tanto em Ilhabela quando na Bahia, estão em pontos turísticos e têm alto custo.

“Manter pesquisa é caro e a gente depende que outros acreditem na iniciativa, que é importante. Entender o comportamento desses animais norteia os próximos passos para a preservação ambiental, é um legado. Temos feito o máximo com o que temos, mas poderíamos fazer muito mais”, explica Maria Emília Morete, pesquisadora do grupo.

Para sustentar a iniciativa, o trio produz material de conscientização ambiental para escolas e projetos, além de produtos voltados para a redução da produção de lixo como canudos metálicos e de bambus e kits duráveis para substituir o uso de copos e talheres descartáveis. Todo o material é vendido no site do projeto.

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