• Felipe Lucena, Diário do Rio

Festa do Milho Sagrado acontece em Paraty, mas situação indígena preocupa

É a grande celebração dos Índios Guaranis, presentes na região. No entanto, nem tudo é alegria. Graves problemas vêm ocorrendo, justo na época das datas sagradas para os Guaranis.

Foto: Divulgação

Começa nesta quinta-feira, 25/07, a Festa do Milho Sagrado, na aldeia Araponga em Paraty. É a grande celebração dos Índios Guaranis, presentes na região. As celebrações acontecem até o dia 28/07, domingo. No entanto, nem tudo é alegria. Graves problemas vêm ocorrendo, justo na época das datas sagradas para os Guaranis.

No início do ano, houve a tentativa de municipalização da saúde indígena, com a extinção da Sesai – Secretária Especial de Saúde Indígena. Ocorreu uma grande mobilização, inclusive o ATL (Acampamento Terra Livre), e um recuo governamental. No entanto, lideranças dos povos originários veem reclamando de cortes de recursos.

“No caso de várias aldeias, poderia acontecer a extinção de agentes de saúde, que são das comunidades, como motoristas que levam pessoas para hospitais em caso de emergência”, conta o Vice-cacique Nino Benite, filho do cacique Domingos, que tem 99 anos.

Em Brasília, lideranças indígenas de todo o país, inclusive as de Paraty, debatem com o governo esta questão. Nessas negociações ficou acordado a manutenção dos motoristas nas aldeias.

E não é só a saúde que preocupa os povos indígenas. Recentemente, o DIÁRIO DO RIO publicou uma matéria informando que aconteceu um encontro na Aldeia Guarani Araponga, em Paraty, para debater e reverter o abandono de políticas públicas de saúde, educação e saneamento básico em aldeias indígenas no estado do Rio de Janeiro.

A festa

O avaxi (milho no idioma guarani) é celebrado na aldeia Araponga em Paraty (RJ), em dois momentos diferentes do ano: janeiro e julho. A festa faz parte da colheita, reza bons tempos para os plantios futuros e, mais do que isso, renova a sobrevivência de tradições culturais alimentares milenares do povo guarani mbyá, proporcionando uma troca de saberes entre os presentes.

A agroecologia e a multiplicação das sementes do milho entre as diversas comunidades que participam da festa representam um ato de resistência em seus territórios. Simbolizado no milho, a saúde, a alimentação e manutenção de saberes ancestrais se faz presente na vida de cada um desses grupos indígenas. A maioria das comunidades vive realidades semelhantes no que se refere à luta pela demarcação de terras e pela garantia de seus direitos socioambientais.

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