• Caio Maia e Gil Sóter, G1 PA

MPF abre investigação para apurar construção ilegal de ponte na Floresta Nacional do Jamanxim, no PA

Ponte seria usada para escoar madeira explorada ilegalmente na reserva florestal.

Ponte é construída sem autorização sobre o rio Jamanxim, no Pará — Foto: Reprodução/TV Globo

A imagem foi mostrada em reportagem exibida pelo Fantástico, no domingo (25), durante sobrevoo na área para flagrar pontos de desmatamento na Amazônia. O rio Jamanxim passa pela Floresta Nacional do Jamanxim, a mais desmatada do Brasil, segundo os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

De acordo com o MPF, foram pedidos esclarecimentos ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre o assunto. O MPF quer saber quais providências o órgão tomou após a denúncia dos moradores. No entanto, o Ibama ainda não respondeu a solicitação. O G1 também entrou em contato com o instituto e aguarda posicionamento.

Além disso, o MPF informou que participou de reunião junto à Marinha, que registrou um auto de infração contra a obra por considerar que a construção pode inviabilizar a navegação no local. Ainda de acordo com o MPF, a Marinha também informou que considera irregular a construção da ponte porque não foram apresentadas as documentações corretas. Por conta disso, o MPF disse que a Marinha solicitou à Prefeitura de Itaituba o embargo da obra. O G1 entrou em contato com a Marinha e a Prefeitura e aguarda retorno.

Desmatamento e 10 mil focos de incêndios

O Pará é o estado com maior índice de desmatamento da Amazônia Legal, de acordo com Boletim do Desmatamento divulgado na quarta-feira (20) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Dos 2441 km² de área desmatada entre agosto de 2017 e maio de 2018, 852 km² foram no Pará. Em maio de 2018, 48% do total desmatado foi no Pará, seguido pelo Mato Grosso, com 29%; Amazonas, com 15%; Rondônia, com 7%; e Acre com 1%.

O Imazon alerta sobre derrubadas em áreas protegidas já que, em maio de 2018, 30% do desmatamento ocorreu em unidades de conservação e terras indígenas, onde regras para utilização do solo são mais rigorosas. No Pará, a destruição dessas áreas foi 52% do total desmatado em todo o estado. Na Floresta Nacional do Jamanxim, por exemplo, as derrubadas atingiram área equivalente a quatro mil campos de futebol.

A Força Nacional está no Pará para atuar no combate ao desmatamento e às queimadas na floresta. O estado registra 10 mil pontos de incêndio espalhados por áreas de florestas. O Pará é segundo estado que teve maior aumento no número de queimadas desde o início do ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre as nove cidades da Amazônia que registram mais casos, quatro são do Pará: São Félix do Xingu, Altamira, Novo Progresso e Itaituba.

Aproximadamente 90% dos pontos de incêndio e desmatamento se concentram em três municípios paraenses: Altamira, Novo Progresso e São Félix do Xingu, no eixo da rodovia BR-163 e da Transamazônica.

Incêndios são investigados pela PF

A Polícia Federal disse nessa segunda-feira (26), em nota, que mobilizou todas as superintendências e delegacias localizadas na Amazônia Legal para identificar e reprimir qualquer ação criminosa na esfera ambiental na floresta amazônica.

A Amazônia Legal abrange os sete estados da região Norte, e ainda Mato Grosso e Maranhão. As ações são realizadas no âmbito da Operação Verde Brasil. As unidades da corporação, diz a PF, estarão mobilizadas em tempo integral.

G7 anuncia 20 milhões de euros para proteção da Amazônia

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nessa segunda-feira (26) que os líderes do G7 vão providenciar, imediatamente, 20 milhões de euros (cerca de R$ 91 milhões) de ajuda emergencial para combater queimadas na Amazônia. O anúncio acontece em meio à tensão entre Macron e o governo brasileiro.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro havia questionado o interesse da França em ajudar a preservar a floresta. A maior parte do dinheiro dos países ricos seria destinada ao envio de aviões Canadair de combate a incêndios, segundo a agência France Press.

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