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Justiça concede medida protetiva a adolescentes após ameaça de pai na porta de escola em Ilhabela

Homem foi à escola para discutir com adolescentes após confusão envolvendo o filho em rede social. Defesa dele diz que comportamento foi reação à ofensas e que o filho sofre bullying.

Pai de estudantes ameaça alunos adolescentes na porta de escola em Ilhabela

A Justiça concedeu medida protetiva a um grupo de alunos de uma escola particular de Ilhabela. O pai de um estudante, que fez ameaças durante uma discussão na porta da unidade, está impedido de se aproximar dos adolescentes.

A confusão teve início nas redes sociais, segundo a Polícia Civil. Além da agressão verbal, na briga, o homem lança uma corrente contra o grupo (veja vídeo acima). A defesa dele justificou ao G1 que ele reagiu a ofensas e que defendeu o filho, que diz ser vítima de bullying na escola. (leia mais abaixo)

As ameaças foram feitas no último dia 6 em frente ao colégio São João. De acordo com a polícia, na saída da escola o pai aguardava os estudantes.

Ele queria discutir as acusações de racismo contra o filho. O grupo enfrentou o homem com troca de ofensas. Na imagem, uma professora aparece tentando controlar a situação. Ninguém ficou ferido, mas o vídeo viralizou.

Conforme o G1 apurou, o estopim da briga foi um comentário do filho do homem, em que, segundo os estudantes, o adolescente compara o cabelo de uma colega da escola aos pelos pubianos. Outros alunos ficaram revoltados e começaram a dizer que a atitude era racista.

Comentário em rede social mostra a briga entre o filho do homem e colegas — Foto: Reprodução

Após o conflito na web, os alunos fizeram um protesto na escola contra racismo e machismo. A confusão na porta da escola, com a participação do pai, seria em resposta a esse ato.

Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado como ameaça contra os alunos e a aluna vítima do comentário considerado racista registrou um boletim de ocorrência. A polícia vai investigar.

O grupo de estudantes, representados pelos pais, pediu medida protetiva contra Marcelo Muniz, que é o homem quem aparece nas imagens. O juiz determinou que ele permaneça a pelo menos 100 metros de distância dos adolescentes.

Todos os estudantes envolvidos são menores, tendo entre 14 e 17 anos e, por isso, o G1 preservou a identidade deles no vídeo. Pelo mesmo motivo, o caso tramita em segredo na Justiça. O Conselho Tutelar acompanha os desdobramentos.

Outro lado

Segundo a defesa de Marcelo, representada pelo advogado Mario de Oliveira Filho, ele se exaltou depois que o filho foi ofendido, sendo chamado de “racista e fascista”. Disse ainda que o adolescente de 14 anos é alvo de buylling e que passa por tratamento contra depressão.

“Os alunos assumiram uma posição agressiva na abordagem ao filho e ele se exaltou. O Marcelo é pai, trabalhador e esse caso não pode ser analisado de forma isolada. Precisa observar o histórico de agressão verbal que o filho dele passava e a situação vulnerável dele”, disse o advogado.

Sobre o caso de racismo, apesar dos pais da adolescente terem feito o boletim de ocorrência contra o filho de Marcelo, o advogado informou que os pais do menino procuraram a jovem para se desculpar. Marcelo também prestou queixa contra os adolescentes por ameaça.

O que diz a escola

O colégio informou em nota que repudia violência e destacou que as injúrias raciais mencionadas pelos estudantes ocorreram na internet, fora da jurisdição escolar, mas que, apesar disso, a escola sempre adotou e seguirá adotando medidas pedagógicas para combater o racismo.

"Todas as demais medidas cabíveis ao caso competem ao âmbito jurídico, sendo que essa instituição está colaborando ativa e incondicionalmente para a apuração completa do caso", disse a direção em trecho do texto enviado ao G1.

Aos pais, logo após o episódio, foi enviada uma carta informando que a segurança havia sido reforçada com a presença de PMs nos horários de entrada e saída, presença de um segurança extra contratado pela unidade e mudança de rotina no horário de saída. No âmbito pedagógico, a escola diz ter preparado atividades de apoio para reforçar a reflexão sobre temas da atualidade.

Por fim, a escola pediu ajuda dos pais dos estudantes envolvidos no sentido de apaziguar os ânimos.

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