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  • Camila Bomfim, TV Globo — Brasília

PF apura se Bezerra e filho têm vínculo com empresas envolvidas com propina; defesa vê 'ilações&

Policiais apreenderam celulares de líder do governo e do filho. Nas buscas, PF encontrou documentos com referência a empresas 'envolvidas no pagamento de valores indevidos'.

PF acredita que senador Fernando Bezerra está envolvido em esquema de lavagem de dinheiro

Investigadores da Polícia Federal estão cruzando informações e periciando documentos e arquivos digitais para apurar se o líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e o filho dele, o deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE), têm vínculos com operadores e empresas envolvidas com pagamento de propina e lavagem de dinheiro, segundo apurou TV Globo.

Em operação realizada na semana passada e autorizada pelo ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal fez buscas nos gabinetes dos dois parlamentares, da liderança do governo e também na casa do deputado, onde apreendeu cerca de R$ 120 mil, em moeda estrangeira e nacional.

Pai e filho são suspeitos de ter recebido R$ 5,5 milhões em propinas de empreiteiras.

A PF detalhou o que foi encontrado nas buscas em um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal. O material apreendido foi encaminhado para perícia.

Na busca na liderança do governo, a PF concluiu que "pode-se afirmar que foram identificados no local das buscas documentos que fazem referência a algumas das empresas citadas nas investigações como pessoas jurídicas envolvidas no pagamento de valores indevidos, bem como na lavagem de dinheiro". Lá também foram encontrados: pagamentos a uma construtora investigada na operação e uma "planilha contendo uma relação de doadores ocultos".

Na casa do deputado Fernando Coelho Filho, além dos cerca de R$ 120 mil, a PF também encontrou um carro, em nome de uma empresa. Os policiais concluíram que a medida de busca e apreensão "encontrou documentos e bens mantidos sigilosamente, longe dos olhos do público e das autoridades de investigação".

Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu ainda os celulares do deputado, do senador e os dois aparelhos, um funcional e outro pessoal, da chefe de gabinete do senador, em razão da "manutenção de contato com investigados".

Defesa contesta operação

Em nota, o advogado André Callegari classificou o relatório da Polícia Federal como "açodado" e "repleto de ilações".

Segundo ele, "a verdade dos fatos será esclarecida no momento oportuno, em que se demonstrará em definitivo o excesso dessa investigação" (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

Na semana passada, Fernando Bezerra Coelho colocou à disposição o cargo de líder do governo no Senado à disposição. O presidente Jair Bolsonaro deverá decidir se ele será mantido ou substituído na função.

Delações motivaram ação

A operação da PF, chamada Desintegração, se baseia em delações premiadas de outra operação, a Turbulência, deflagrada em junho de 2016. Um dos delatores é o empresário João Lyra, apontado em investigações como operador financeiro de supostos esquemas criminosos em Pernambuco.

As denúncias apontam irregularidades em obras no Nordeste, como a transposição do Rio São Francisco, no período em que Bezerra foi ministro da Integração Nacional, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Íntegra de nota da defesa

Leia abaixo a íntegra de nota da defesa do senador Fernando Bezerra Coelho:

Após o questionamento feito pela defesa ao Ministro Luís Roberto Barroso, do STF, na manhã desta terça-feira (24), a Polícia Federal apresentou açodado relatório repleto de ilações, numa clara tentativa de justificar a inobservância dos limites da decisão monocrática do relator para cumprimento dos mandados na última quinta-feira (19). A verdade dos fatos será esclarecida no momento oportuno, em que se demonstrará em definitivo o excesso dessa investigação. André Callegari - Advogado.

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