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Médica de São Sebastião cria 'mundo mágico' para humanizar atendimento em centro cirúrgico i

Para a anestesista, além da criança se sentir mais confortável no procedimento, humanizar o atendimento passa para os pais a relação de confiança na equipe.

Médica cria ambiente imaginário em centro cirúrgico — Foto: Simone Rocha/Tamoios News

Uma médica da rede pública de São Sebastião transformou o centro cirúrgico em um mundo mágico de sonhos para crianças. Daniela Medeiros é anestesista e trabalha com cirurgia infantil. Para amenizar o momento traumático, ela cria um universo de desenho animado do pré-operatório até a cirurgia.

A especialista explica que a cirurgia infantil geralmente é traumática — para os pais e para a criança. Conta que quase sempre as pessoas choravam do início ao fim, seja pelo medo ou pelo risco que a situação representava. Foi quando decidiu preparar algo que humanizasse o atendimento e quebrasse o clima tenso do processo.

Ela cria um universo imaginário para a criança. Já no pré-operatório aplica a ‘entrevista do sonho’. Uma série de perguntas para entender qual o personagem favorito da criança, o imaginário e então explica como funciona a cirurgia: um momento em que ela vai ser levada a um mundo de sonhos.

Com um livro ela conta que a criança vai respirar um gás da imaginação e com ele conhecer mais um episódio daquele personagem. O paciente ganha uma almofada quentinha que ela chama de ‘nuvem dos sonhos’ e entra assistindo ao filme ou desenho do personagem que escolher com uma ‘engenhoca’ criada por ela, anexada aos equipamentos do centro cirúrgico.

“Eu entro completamente naquele universo e a equipe acompanha. Adapto a minha máscara, falo jargões do desenho, explicamos os equipamentos conforme aquele universo que a criança escolheu. Ela entra sorrindo e aquele momento traumático se faz leve”, conta.

De herói, personagem do Sítio do Pica Pau Amarelo a integrante da banda Los Hermanos, Daniela já viveu todo tipo de personagem no centro cirúrgico. No consultório, guarda os desenhos do pré e pós ‘sonho’.

Na avaliação depois da cirurgia, as crianças são atendidas por ela para contar com o que sonharam e diz que é sempre surpreendente. “São coisas simples que fazemos, mas que transportam eles para outros mundos”.

Daniela atende em dois grandes hospitais públicos do Litoral Norte e está há 20 anos na cirurgia pediátrica e o procedimento que mais marcou foi o do próprio filho. Conta que não foi fácil estar do outro lado da sala, mas que foi quando teve certeza de que a dedicação para fazer algo além dos livros de medicina fazia a diferença.

“Ele queria sonhar com 'Os Incríveis' e fizemos tudo o que faço com as outras crianças. Até hoje, a lembrança dele é muito leve. Sempre se refere como o dia em que correu como o flecha”.

Humanização

A médica explica que o procedimento gera uma reação em cadeia: a criança fica mais calma, os pais ficam mais calmos e a equipe consegue se aproximar de ambos para o atendimento.

Uma criança que passa por uma cirurgia vem sempre de um histórico traumático e humanizar o atendimento, passa para os pais a relação de confiança na equipe.

“A cirurgia é muitas vezes o primeiro contato hospitalar da criança e isso vai definir como ela enxerga o profissional de saúde. Se é traumático, a chance dela não gostar de médico, não fazer exames de rotina e diagnosticar cedo problemas futuros é grande. O mesmo com os pais. O que a gente faz aqui não é pensando só nesse momento, mas na saúde daquele núcleo familiar a longo prazo”, diz.

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