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Polícia Civil investiga caso de racismo na Vila Trindade, em Paraty

Suspeitos tentaram atear fogo em Daniel Moreira, que estava dormindo dentro de um carro. Crime aconteceu há quase um mês.

Agressões marcaram a pele de Daniel — Foto: Reprodução/TV Rio Sul

A Polícia Civil de Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro, instaurou um inquérito para investigar um caso de racismo na Vila Trindade. Daniel Moreira estava dormindo dentro do carro dele quando sofreu um ataque. O crime aconteceu no dia 12 de outubro de 2019.

"Eu acordei com uma mulher botando fogo no meu cabelo, falando: 'Vou colocar fogo nesse negão'. Aí eu tirei com a mão, apaguei o fogo e na hora que eu fui sair do carro dois homens travaram a porta. Um dos homens pegou o isqueiro na mão da mulher e falou: 'Vamos colocar fogo no carro com esse crioulo dentro'. Eu saí do carro, consegui sair pela janela e falei com eles que eu estava trabalhando, que eles tinham que me respeitar", contou Daniel.

Daniel é ajudante de padaria e trabalha com a comerciante Letícia Martins. Ela ficou indignada quando soube da agressão. "Segundo testemunhas, eles estavam muito alterados, tentaram atear fogo, judiaram muito dele. Eu tenho um filho que também é negro. Podia ter sido com o meu filho, também", contou Letícia.

O caso foi parar na delegacia de Paraty. "Já instaurei inquérito para apurar uma provável injúria racial preconceituosa e o crime de lesão corporal que a vítima sofreu. Já requisitamos exame de corpo delito na vítima para juntarmos a prova da materialidade dessas lesões", explicou o delegado Marcelo Russo.

O delegado está em busca dos suspeitos, que ainda não foram encontrados, para prestarem depoimento sobre as acusações. "Os supostos autores do fato já foram identificados. Trata-se de um casal. Nós estamos procurando também testemunhas e câmeras no local. Até o momento, não logramos êxito em encontrar câmeras, mas corroborado com alguns elementos outros de prova, testemunhais principalmente, nós estamos no caminho identificativo dos autores desse fato", explicou o delegado.

Ainda de acordo com o delegado, em seguida, o inquérito policial vai para a Justiça e será pedida a prisão preventiva dos suspeitos. O crime de racismo e injúria racial tem pena de três anos de prisão, não prescreve e não tem fiança.

"Espero que seja feita a justiça, que a pessoa seja presa, pague pelo que fez, até para que sirva de exemplo", finalizou Daniel.

Ataque de racismo deixou marcas no braço de Daniel — Foto: Reprodução/TV Rio Sul

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