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Secretário de Gestão Financeira da Prefeitura de Ilhabela é preso em operação da Polícia Federal

Polícia Federal cumpriu mandados na Prefeitura de Ilhabela e na casa do secretário de Gestão Financeira da administração.

Polícia Federal cumpre mandados em Ilhabela — Foto: Tribuna do Povo

O secretário de Gestão Financeira da Prefeitura de Ilhabela, Tiago da Silva Corrêa, foi preso na manhã desta sexta-feira (6) em operação da Polícia Federal. A investigação da PF apura crimes de fraude a licitação, superfaturamento de preços, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e associação criminosa.

A prisão aconteceu durante a terceira fase da Operação Prelúdio. Tiago foi preso pelos policiais federais em casa logo no início da manhã. O imóvel também foi alvo de busca e apreensão, assim como o gabinete ocupado por ele na Prefeitura de Ilhabela.

Segundo a Polícia Federal, a prisão é temporária por cinco dias, mas pode ser convertida em preventiva. O G1 não conseguiu localizar nenhum representante de defesa de Tiago até a publicação da reportagem.

Em maio deste ano, o então prefeito Márcio Tenório (MDB) foi afastado na segunda fase da Operação Prelúdio. Posteriormente, ele também teve o mandato cassado pela Câmara de Ilhabela e a prefeitura foi assumida pela vice dele, Gracinha (PSD).

Na ocasião, foram afastados cinco funcionários do alto escalão e foram presos dois empresários e um policial militar, que seria laranja no esquema.

De acordo com a investigação, Márcio Tenório (MDB) teria assinado contrato com uma empresa de poda e coleta de resíduos por R$ 13,5 milhões para operação por seis meses, substituindo um contrato de R$ 5,2 milhões para a prestação do mesmo serviço por um ano. A suspeita ainda era de que a empresa não chegou a prestar o serviço.

A Polícia Federal informou que, com base nas investigações feitas desde a segunda fase da Prelúdio, ficou evidenciado que Tiago da Silva Corrêa intermediava pagamento de propina para um empresário, que teria financiado a campanha eleitoral de Tenório e, em troca, teria sido beneficiado com um contrato superfaturado.

A Prefeitura de Ilhabela informou que colabora com as investigações e que exonerou o secretário após a prisão. "Devido à prisão do secretário, a prefeita procedeu a exoneração do mesmo e nomeou o servidor público de carreira, Fernando Crésio da Silva, para assumir a pasta", diz a nota.

Investigação

Segundo a Polícia Federal, a primeira investigação, iniciada em outubro de 2017, comprovou que no início da administração municipal, a empresa contratada para os processamentos de resíduos de podas e folhas e da construção civil deixou de processar os resíduos por quatro meses e foi feita a rescisão amigável do contrato.

Para a PF, a medida foi possivelmente uma ação combinada para justificar a contratação emergencial de nova empresa e dar aparência de legalidade a nova contratação.

A investigação constatou que a nova empresa contratada, até então, não possuía equipamentos, pessoal, maquinário, veículos ou qualquer experiência na execução do objeto do contrato, cujo edital exigia empresa especializada.

Ainda segundo a Polícia Federal, a empresa contratada omitiu em seu contrato social um empresário já investigado na Operação Torniquete, por irregularidades em diversos contratos de obras públicas em São Sebastião.

A PF informou ainda que a empresa transferia parte dos pagamentos recebidos pela execução do contrato à conta corrente de um laranja do empresário. Constatou-se ainda transferência de valores desse laranja ao agente público responsável pela fiscalização do contrato.

Operações na ilha

Além das ações da Prelúdio, a Prefeitura de Ilhabela também foi alvo de outra operação da Polícia Federal .

No fim de novembro, a pedido do Ministério do Meio Ambiente, a PF apurou problemas de saneamento básico e balneabilidade nas praias. Por causa das irregularidades, a prefeitura foi multada em R$ 2,5 milhões.

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