• Da Redação

A Esporotricose é uma micose que afeta pessoas, cães e gatos. E tem tratamento

Recentemente, a Vigilância em Saúde de Ubatuba fez um alerta sobre a Esporotricose, uma zoonose, também conhecida como “doença do jardineiro” que atinge seres humanos, gatos e cachorros. A esporotricose é mais comum do que se pensa e, tanto para animais como para seres humanos, tem tratamento e o prognóstico, quando o tratamento é levado à sério, é excelente. Por isso, não abandone, maltrate ou sacrifique o animal com suspeita da doença. Trate-o.

A Esporotricose é uma micose que afeta pessoas, cães e gatos. E tem tratamento - Foto: Divulgação

A Esporotricose é uma zoonose. Ou seja, uma doença que passa de animais para os seres humanos. No entanto, apesar de atingir também os cães, os animais mais afetados são os gatos. Ela é causada por um fungo, Sporothrix schenckii. Esse fungo é saprófita e é ampla e facilmente encontrado no solo, na vegetação e nas florestas. Como a maioria dos fungos, crescem e se reproduzem em locais onde a combinação de umidade e temperatura são ideais para a manutenção do seu ciclo de vida. Por isso, floricultores, mineiros, jardineiros e pedreiros têm mais predisposição de contrair a doença, bastando para isso terem contato entre um ferimento (por menor que seja) e a terra contaminada. Além, é claro, dos veterinários pelo contato direto com animais infectados.

A transmissão se dá por contato direto com a terra ou durante uma briga entre animais. Mas um animal não precisa estar com a doença para transmitir o fungo para outro. O fungo costuma ficar depositado sob as unhas e perto da região entre boca e nariz. Dessa forma, se ele arranhar ou morder um outro animal ou uma pessoa, irá transmitir a doença.

Pessoas podem contrair a doença quando arranhadas por um animal contaminado. No entanto, é muito mais comum a pessoa contrair a doença quando uma parte lesionada da pele tem contato com madeira, terra, palha ou outro meio em que exista a presença do fungo. O fungo também pode ser transmitido pelo ar, mas essa forma de contaminação é rara.

A Esporotricose é uma micose que afeta pessoas, cães e gatos. E tem tratamento - Foto: Divulgação

A doença

Nos gatos as formas cutâneas são as mais comuns, ou seja, é mais comum aparecer lesão na pele, quase sempre purulenta. Mas outras regiões podem estar acometidas, como mucosas, pulmões, ossos, articulações e sistema nervoso central.

As lesões de pele costumam ser graves, principalmente na região da cabeça e extremidade das patinhas (locais comuns de machucados nas brigas). São feridas que não saram com antibióticos, pomadas ou qualquer outro tratamento convencional e geralmente não causam dor, nem coceira (exceto em casos de infecção secundária por bactérias).

Sintomas de comprometimento sistêmico podem ocorrer, como fraqueza, anorexia e febre. Nesses casos, a doença pode ser fatal.

Um dos sintomas nos cães e no homem, que não é comum mas pode ocorrer nos felinos, é o aumento dos linfonodos (gânglios). Além disso, nos humanos, os sinais clínicos mais comuns da manifestação da doença são lesões na pele que começam com um pequeno caroço vermelho, que pode se tornar uma ferida. Geralmente, as lesões aparecem nos braços, pernas ou rosto. Às vezes, podem formar uma fileira de caroços ou feridas. Como outras doenças podem se manifestar dessa mesma maneira, o ideal é que a pessoa consulte um dermatologista para obter o diagnóstico e o tratamento corretos.

O diagnóstico é feito pelo dermatologista ou médico veterinário através de exames clínicos e laboratoriais. No caso de animais, o tratamento é longo e pode demorar meses para atingir a cura da doença. É feito com antifúngicos orais e também antibióticos quando existem infecções secundárias.

No caso de humanos, o tratamento também é longo, podendo durar até mesmo mais de um ano. E também é feito com antifúngicos orais.

Nunca, em hipótese nenhuma, pare o tratamento antes da alta médica. Isso vale para humanos e animais. E é muito importante que o tratamento seja seguido à risca.

O prognóstico, tanto para pessoas quanto para animais é bom. Ajuda muito, no caso dos gatos, que o diagnóstico seja precoce, para evitar que os fungos atinjam outros órgãos. E quanto antes o tratamento começar, mais chances o animal tem de ficar 100% curado.

Em humanos e cães, o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento aceleram a resposta do organismo e a melhor da paciente.

A Esporotricose é uma micose que afeta pessoas, cães e gatos. E tem tratamento - Foto: Divulgação

Para quem está lidando com o problema, algumas dicas são fundamentais:

A Esporotricose é uma micose que afeta pessoas, cães e gatos. E tem tratamento - Foto: Divulgação
  • O animal doente deve ser afastado de outros animais sadios.

  • Leve o animal para avaliação de um médico veterinário ao menor sinal de lesão, mesmo que seja ínfima. Quanto antes começar o tratamento, mais fácil e rápida acontecerá a cura.

  • O local em que ele está deve ser desinfetado com hipoclorito de sódio (sendo que a dosagem usada para essa limpeza deve ser indicada por um profissional veterinário para evitar intoxicações).

  • Após o contato com o animal, o tutor deve realizar uma cuidadosa assepsia.

  • O animal deve ser manuseador com extremo cuidado.

  • Durante o manuseio e o cuidado com o animal, o tutor, ou quem está cuidando dele, deve utilizar luvas e mangas compridas para evitar arranhões.

  • Apesar de longo, nunca interrompa o tratamento do animal doente.

  • Em caso de falecimento do animal o mais indicado é que ele seja cremado para evitar a contaminação do solo.

  • Para prevenir a contaminação, sempre que for cuidar do jardim ou de plantas, use luvas. O mesmo vale se for mexer com madeiras, folhas e palhas deixadas ao relento.

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