• Silviane Neumann

Omissão de socorro não é mimimi, é crime!

Esta semana, Ubatuba ficou estarrecida com o sofrimento de um cachorro que teve a infelicidade de ter sido atropelado, resgatado por alguém que o deixou sofrer a noite toda e, depois de uma sucessão de ações que se enquadram em crime de maus-tratos a animais, acabou não resistindo.

Esta semana, Ubatuba ficou estarrecida com o sofrimento de um cachorro que teve a infelicidade de ter sido atropelado, resgatado por alguém que o deixou sofrer a noite toda e, depois de uma sucessão de ações que se enquadram em crime de maus-tratos a animais, acabou não resistindo.

O cachorro tinha tutores. Não sabemos porque estava sozinho nas ruas, mas o fato é que ele foi atropelado. Quem o atropelou, não sabemos com certeza quem foi, cometeu o primeiro crime deixando o animal precisando de socorro imediato, à própria sorte.

Quem o resgatou, cometeu o segundo crime ao leva-lo para casa e, mesmo vendo que o estado dele requeria socorro imediato, o deixou na garagem esperando o dia seguinte. Depois de muita repercussão e muita pressão nas redes sociais, essa pessoa resolveu, na manhã seguinte, desová-lo no CCZ.

E errou ainda mais ao exigir que os funcionários do canil do Centro de Controle de Zoonoses de Ubatuba acolhessem um animal na situação em que ele estava. Só para deixar bem claro, o canil municipal é única e exclusivamente para recolher animais que estejam doentes e cujas doenças ofereçam riscos para as pessoas. Animais que estejam nas ruas e sejam agressivos, novamente oferecendo riscos às pessoas, também são o foco do canil municipal do CCZ. E nada mais.

Após muita discussão, mandos e desmandos, o cachorro foi recebido pelo CCZ. Mas ele precisava de outro tipo de ajuda. A veterinária de lá foi a única, até aquele momento, que se preocupou com o animal. Vendo o estado em que ele se encontrava, correu com ele para ser atendido em uma clínica particular, assumindo seus atos, onde, após os exames, ficou constatado a gravidade da situação em vista das múltiplas fraturas.

O estado dele era bem grave, mas enfim, os tutores foram encontrados.

Após uma mobilização para se levantar fundos para o tratamento, ele foi levado para exames em outra clínica, onde ficou internado durante o final de semana. Mais dois dias de sofrimento. Depois de 5 dias, o cachorro não resistiu à gravidade dos ferimentos e se foi. Acabou a agonia.

Esse cachorro sofreu e morreu pela ignorância e pelo descaso com a vida animal. Foram omissos quem atropelou, quem resgatou mas não socorreu e quem protelou o tratamento. E uma vida se perdeu por uma sequência de omissões.

É essa realidade que queremos mudar em Ubatuba.

Queremos tutores conscientes que não deixem seus animais soltos sozinhos nas ruas.

Queremos que as pessoas arquem com suas atitudes, sejam responsáveis.

Que dirijam com cuidado para evitar acidentes que provoquem a morte de pessoas e animais.

Que façam seu trabalho por amor à profissão e com muita responsabilidade.

E, principalmente, queremos políticos que tenham respeito à vida, seja de humanos ou de animais.

Quem resgatou esse cachorro e o deixou no CCZ, após uma noite inteira de sofrimento, anseia, há tempos, ocupar um cargo político em Ubatuba. Gente, vamos votar consciente. Se a pessoa não carrega o bem no coração, não pode desempenhar bem um cargo onde a função principal é participar da administração de uma cidade visando o bem da população. Vamos exigir que nossos representantes sejam, no mínimo, cidadãos exemplares. Porque isso se reflete também no dia a dia e na convivência em sociedade.

Se esse cachorro tivesse sido socorrido de imediato, talvez a história dele tivesse outro final. Mas, com toda certeza de quem convive com isso todos os dias, o sofrimento dele teria sido muito menor.

Desculpe-nos, anjinho, você não merecia tanto descaso e sofrimento.

Silviane Neumann é ativista na causa animal. Desde 2009 atua em Ubatuba para melhorar as políticas públicas voltadas ao bem-estar animal. Através da Help Pet Ubatuba, suas ações são focadas em conscientização sobre guarda responsável de animais e em promover castrações e ajuda para tutores carentes. Como protetora, trabalha para tornar Ubatuba uma cidade que é contra a exploração animal e respeita os animais domésticos e silvestres, o meio ambiente e sua rica diversidade. Como cidadã, exige e cobra dos órgãos públicos que as leis destinadas ao bem-estar animal e à proteção do meio ambiente sejam cumpridas. Neste espaço, contará um pouco do seu dia a dia e as conquistas de Ubatuba nessa área. Além de expor as necessidades e também os contrassensos que vivencia em sua luta diária pelos animais e meio ambiente.

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