• Mariana Lima, Observatório do 3º setor

Casal de cadeirantes ajuda a alfabetizar crianças na garagem de casa

Telefonista e aposentado moradores de Ribeirão Preto (SP) ensinam português e matemática gratuitamente para crianças com dificuldade de aprendizagem.

Casal de cadeirantes ajuda a alfabetizar crianças na garagem de casa - Foto: Pedro Martins | G1

Na garagem de uma casa localizada em Ribeirão Preto (SP), um casal de cadeirantes, com 30 anos de história, oferece a crianças e jovens suporte para estudarem.

A sala de aula da telefonista Sônia Soranzo, 60, e do aposentado Jeferson Andrade, 55, pode ser incomum, mas a vontade ensinar de ambos é grande.

Apesar de não terem terminado os estudos, os dois enxergam na educação a ferramenta para transformar o mundo. Seguindo essa perceptiva, eles recebem em sua garagem meninos e meninas com dificuldade de aprendizagem.

Sônia teve paralisia infantil e, com 16 anos, passou a usar a cadeira de rodas devido a uma cirurgia malsucedida na coluna. Jeferson, na mesma idade, perdeu os movimentos das pernas em consequência de uma meningite grave.

Eles construíram a vida juntos. Ele vendia doces no semáforo, enquanto Sônia trabalhava de telefonista e, juntos, ainda saíam para catar latinhas para conseguir uma renda extra. Aos poucos, foram construindo a casa onde hoje ministram as aulas.

Assim, surgiu o projeto Suave Caminho, que atende cerca de 20 crianças, com idades que variam entre 5 e 12 anos, divididas em duas turmas.

Às segundas e quartas, os alunos mais velhos vão à aula, enquanto os mais novos vão para o projeto todas as terças e quintas. Cada aula dura 1h30, começando às 17h30. Aos sábados, as turmas se reúnem para aprender a tocar violão com um voluntário da comunidade.

É na garagem, já adaptada como sala de aula, que as crianças aprendem a ler, escrever e fazer operações matemáticas básicas. As dificuldades de cada criança são abordadas de forma individualizada.

Quando notam que o aluno não está confortável, deixam-no livre para fazer desenhos ou ler gibis, ao invés de forçá-lo a aprender.

Além das matérias teóricas, o casal trabalha com o ensino das diferenças com as crianças, através de atividades que fazem parte da rotina dentro da sala de aula, como o compartilhamento do material escolar.

O casal se divide na organização do espaço e das aulas. Jeferson limpa e organiza a sala de aula, já que consegue passar mais tempo em casa. Sônia prepara as aulas e corrige as tarefas dos estudantes assim que chega do trabalho.

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