• Silviane Neumann

O crescente aumento do abandono de animais em Ubatuba durante a pandemia

Nos últimos tempos tivemos a confirmação de que a máxima “você é responsável por tudo aquilo que cativa” não funciona em Ubatuba. Desde que a pandemia se instalou, o abandono de animais vem crescendo a cada dia. Isso só comprova que, para a maior parte das pessoas, cachorro e gato são totalmente descartáveis. Se não gosta, não se importa ou vai abandonar na primeira dificuldade, para quê adotar?

Valentina abandonada na Casanga - Foto: arquivo pessoal

Valentina, abandonada na Casanga. Prestem atenção na magreza e no rabo entre as pernas. Apesar de faminta, estava morrendo de medo. A fome falou mais alto e ela se rendeu à ração. - Foto: Arquivo pessoal

Animal já não é mais “coisa” no Brasil. Mesmo assim, tem muita coisa na cabeça e no coração das pessoas que ainda precisa ser mudada com relação a isso.

Desde que a pandemia começou, o número de abandonos cresce a cada dia em Ubatuba. Quem vive a proteção animal no dia a dia já está no limite, como sempre.

Na primeira edição da Mesa Solidária, na Casanga, encontramos vários animais em situação de rua que foram abandonados por seus antigos tutores. Uma delas, a Valentina estava magra, machucada e lotada de carrapatos. Ela foi abandonada pelos antigos tutores porque não tinham mais como cuidar dela. Graças ao empenho de várias pessoas, hoje ela está saudável e tem uma nova família. Ela teve sorte.

A gente se desdobra todos os dias para poder fazer a diferença na vida desses animais, mas, mesmo assim, não conseguimos ajudar a todos.

Sabemos que a situação está ruim para muita gente. No entanto, em todos esses anos como protetora de animais e ativista da causa, conheci pessoas e famílias bem humildes que dividem o pouco que têm com seus pets. E, se não tem lugar para eles quando procuram casas para alugar, também não tem para os tutores. Gostar não é suficiente. O que se precisa é de responsabilidade.

Quem puder ajudar a alimentar e tratar dos animais abandonados nesta época, ajude. Um pouco de ração, água, abrigo e, sonho de todo protetor, conseguir um novo lar, pode não fazer muita diferença para quem está ajudando, mas é uma nova vida cheia de possibilidades para o animal que foi deixado na rua ou lugar ermo, quase sempre bem longe de onde viveu a vida toda.

Para quem está em situação difícil, mas ainda não tomou a decisão de abandonar: reconsidere. Se realmente não pode manter o animal, procure ajuda de ongs e protetores que possam te ajudar com ração e medicamentos. Se mesmo assim, a decisão for se desfazer do ser indefeso que você resolveu adotar, tenha pelo menos o mínimo de responsabilidade e procure um novo lar para ele, ao invés de abandona-lo à própria sorte em uma estrada deserta de Ubatuba, reduzindo ainda mais as chances dele sobreviver e encontrar uma nova família.

Para o futuro, fica a dica: antes de adotar um animal, seja qual for, pergunte-se antes: se você tiver que se mudar e na casa nova não aceitar animais, você irá abandonar o animal? Durante uma situação financeira ou de saúde inesperada, momentânea ou não, você acha normal abandonar o animal? Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for sim, nunca adote um animal. Você faz mais o estilo de cuidar de plantas. É um ser vivo do mesmo jeito, mas vai requerer muito menos responsabilidade da sua parte.

Infelizmente, os cidadãos de Ubatuba ainda têm muito o que aprender sobre responsabilidade com animais de estimação.

Valentina machucada por ter tentado se alimentar e lotada de carrapatos - Foto: Arquivo pessoal

Valentina machucada por ter tentado se alimentar e lotada de carrapatos - Foto: Arquivo pessoal

Valentina com a nova tutora - Foto: arquivo pessoal

Valentina com a nova tutora - Foto: arquivo pessoal

Silviane Neumann é ativista na causa animal. Desde 2009 atua em Ubatuba para melhorar as políticas públicas voltadas ao bem-estar animal. Através da Help Pet Ubatuba, suas ações são focadas em conscientização sobre guarda responsável de animais e em promover castrações e ajuda para tutores carentes. Como protetora, trabalha para tornar Ubatuba uma cidade que é contra a exploração animal e respeita os animais domésticos e silvestres, o meio ambiente e sua rica diversidade. Como cidadã, exige e cobra dos órgãos públicos que as leis destinadas ao bem-estar animal e à proteção do meio ambiente sejam cumpridas. Neste espaço, contará um pouco do seu dia a dia e as conquistas de Ubatuba nessa área. Além de expor as necessidades e também os contrassensos que vivencia em sua luta diária pelos animais e meio ambiente.

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