• Eduardo Cesar

Blog do Eduardo César: “Witzel”

O ano de 2020 entrará para a história como o ano da pandemia do novo coronavírus, mas o fato inusitado de juízes abandonarem suas carreiras e ingressarem na vida política, decepcionando aos que acreditaram neles, será um fato a ser lembrado.

O Brasil amanheceu, na sexta-feira (28/08), com o impacto do afastamento do governador de um dos mais importantes estados da Federação, o Rio de Janeiro. Nos últimos anos, o brasileiro passou a conviver com notícias de escândalos envolvendo gente importante e como consequência, inúmeras buscas, apreensões, conduções coercitivas e prisões para grandes empresários, políticos, agentes de forças policiais e até membros de tribunais. Fatos que passaram a não causar mais espanto ao cidadão que historicamente, sempre pagou a conta sem poder perder a esperança. O ano de 2020 entrará para a história como o ano da pandemia do novo coronavírus, mas o fato inusitado de juízes abandonarem suas carreiras e ingressarem na vida política, decepcionando aos que acreditaram neles, será um fato a ser lembrado. Vale destacar que, em menos de 2 anos após o início do mandato, três deles estão fora de seus cargos. Um juiz que chegou ao patamar de herói nacional, revelou seu lado político, o agora ex-juiz e ex-ministro da justiça Sergio Moro, pressionado a demitir-se por falta de clima, vendo expostos atos que mostravam uma possível parcialidade e a falta de atitude contra irregularidades de seu próprio grupo político, geraram desgastes e conflitos, fazendo com que a paixão política fulminante do início do mandato fosse diminuindo a ponto de não ser inteligente colocar o presidente e seu ex-ministro na mesma lista de convidados de um evento. A ex-juíza Selma Arruda (Podemos) que elegeu-se senadora pelo estado do Mato Grosso, teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral pela acusação de ter comprado votos, ato imoral e inaceitável para alguém que deveria usar sua experiência na magistratura para moralizar a política de seu estado, mas ao contrário, entrou no jogo sem titubear e teve a sentença merecida. Por fim, e também com ampla repercussão nacional, o mais recente escândalo: o espetacular afastamento do governador Wilson Witzel do PSC. Com longa experiência no judiciário e com surpreendente intimidade com o Pastor Everaldo e seu “modus operandi”, Witzel está fora do cargo, aguardando as investigações. Com as apurações em andamento e seus mentores na cadeia, o governador afastado tem ainda, na assembleia legislativa de seu estado, um processo de “impeachment” aprovado por unanimidade, ou seja, as chances do ex-juiz que prometeu combater a corrupção e abater qualquer um armado nas ruas de seu estado são mínimas. Foi combatido por acusação de atos de corrupção e abatido de sua cadeira de governador sem deixar nenhum legado, por ter, aparentemente, sucumbido aos encantos do poder e, usando o modesto escritório de sua esposa, agido assim como um de seus antecessores, o ex-governador Cabral. Podem não ser amigos, aliados ou do mesmo partido, mas se confirmadas as denúncias, merecem ter o mesmo fim. As alegações de perseguição não se sustentam na medida em que a PGR mostra dados concretos, baseados em delação premiada com vasta documentação e riqueza de detalhes do esquema, se isso não bastasse para um estado que tem uma considerável parcela da população com carências básicas sofrendo por falta de médicos, segurança, moradia e até por falta de água potável. Outro fato preocupante e gerador de desesperança está na linha de sucessão e substituição do governador, pois está aparentemente contaminada com um vice-governador também investigado e discípulo do pastor preso e um presidente da Alerj investigado mesmo não sendo do partido do pastor. Eles terão que correr com suas defesas em relação aos fatos que serão apurados daqui para frente. Se tiverem o mesmo destino do chefe Witzel, o estado será temporariamente governado pelo presidente do tribunal de Justiça. Terá sorte o estado do Rio de janeiro se tiver em breve um Juiz togado sentado na cadeira de governador, mas um juiz que sentará por força da lei e para cumpri-la. O Rio de Janeiro e o Brasil não aguentam mais pessoas que deixam cargos, como o de juiz, que pagam altos salários, ingressam por provas que exigem conhecimento específico, investigação social, cargo vitalício, que não pode ter salário reduzido, não pode ser transferido e demais vantagens que o trabalhador brasileiro nem sonha, por uma vaga na política que depende da simpatia popular com duração de 4 anos. Com base nas últimas experiências, faz com que o eleitor imagine coisas. Espero que em ano eleitoral o eleitor brasileiro comece a analisar melhor antes de escolher, pois o calor das eleições, muitas vezes, faz com que as pessoas não pensem no que faz um detentor de um cargo com tanto poder e vantagens querer administrar o dinheiro dos cofres públicos. No final das contas, se estiver filiado a um partido, é político! E ter sido um sentenciado que já pagou sua conta com a justiça ou um juiz que passou décadas sentenciando pessoas, na prática não faz diferença, o eleitor deve colocar todos no mesmo nível e analisar o conjunto do grupo e da história. Aparentemente, o Witzel agiu como o Cabral e o Pezão, mas os três foram eleitos pelo povo do Rio de Janeiro.

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