• Eduardo César

Cama de gato



Em períodos de eleição municipal nas cidades de médio e pequeno porte é comum pessoas se destacarem como o braço forte, homem ou mulher de confiança dos candidatos ao longo das campanhas. Às vezes, essas pessoas, em virtude da paixão que uma eleição causa, respondem aos ataques adversários ou a qualquer oposição com mais veemência do que o próprio postulante ao cargo.


Passam as eleições, o candidato vencedor assume e, junto dele, o grupo mais próximo vai governar. Normalmente, a pessoa forte ajuda na organização e até na escolha dos outros correligionários e colaboradores de campanha que farão parte do governo.


Sendo essa uma prática natural na política brasileira, essas pessoas mais próximas, em regra, formam a base do governante e nelas está grande parte da responsabilidade sobre o sucesso ou fracasso do governo. Não basta ser amigo, ser bom de votos, conhecedor de política, nem mesmo ser apenas um bom técnico em sua área, tudo isso obviamente é muito importante, entretanto, ser amigo, acreditar no eleito e protegê-lo, faz toda diferença.


Por outro lado, quando o candidato perde, são esses mais próximos que pagam o alto preço da escolha, podem ser perseguidos, demitidos, criticados, às vezes até ofendidos. Não é fácil, mas logo começam os sonhos e planos para reagrupamento e novos desafios, todo o dissabor de uma derrota, ser ridicularizado, perseguido e ofendido, entra na conta do preço de uma amizade.


Na política o conceito de amizade não é como nas outras áreas das relações humanas, para algumas pessoas o nível de amizade está relacionado ao nível de poder, o amigo de todas as horas pode ”estar amigo” de quem estiver com o poder, causando comentários e estranheza naqueles que acompanharam o processo eleitoral e viram seus grupos atuando, como se de fato, além da disputa pelo voto e, consequentemente, pelo poder, houvesse verdade, amizade e coração envolvidos.


Não. Na política um contrato, um cargo, uma promoção ou até mesmo um afago podem mostrar que quem parecia ser, não era, quem parecia estar, não estava e que o eleitor, quando mostra indignação como quando está vendo futebol e vê um atleta fazer a famosa cama de gato, jogada desleal onde o que importa ao atleta é se dar bem, mostra que às vezes o que é dito de forma inconsciente e generalizada infelizmente tem muito fundamento.

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