• Fonte: G1

CPI da Covid: confira o que rolou até aqui

Ex-ministro Mandetta e o diretor da Anvisa relataram tentativa de mudar bula da cloroquina. Ex-secretário Wajngarten contou que proposta de vacina da Pfizer ficou 2 meses sem resposta, o que foi confirmado por diretor da farmacêutica.



Nas primeiras semanas de depoimentos, a CPI da Covid no Senado ouviu relatos de que houve uma tentativa de mudar a bula da cloroquina para incluir a indicação do seu uso no tratamento contra Covid-19 mesmo sem ter eficácia e que a proposta de vacina da farmacêutica Pfizer ficou dois meses sem resposta do governo Bolsonaro.

Em funcionamento desde abril, a comissão parlamentar de inquérito tem o objetivo de investigar a atuação do Executivo no enfrentamento da pandemia, além do uso de recursos federais pelos estados e municípios. Os depoentes ouvidos até agora contaram que:

  1. O governo Bolsonaro tem um “aconselhamento paralelo” na gestão da pandemia e que Carlos Bolsonaro, vereador do Rio e filho do presidente, participava de reuniões;

  2. Houve uma tentativa de mudar a bula da cloroquina, medicamento sem eficácia contra a Covid, mas defendido pelo presidente;

  3. Propostas da Pfizer de venda de vacina a governo federal ficaram meses sem resposta

Foram ouvidos pela CPI os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich; o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga; o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres; o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten; e o gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo.


Veja os principais pontos debatidos na CPI:

‘Aconselhamento paralelo’ O ex-ministro Mandetta relatou que o governo federal recebia um “assessoramento paralelo” ao Ministério da Saúde no combate à pandemia. Segundo ele, as orientações desse gabinete extraoficial iam na contramão do que a sua pasta, responsável pela área, defendia em relação às regras sanitárias, como o distanciamento social.

O ex-secretário Fabio Wajngarten contou que tomou a iniciativa de procurar a Pfizer após saber que a proposta da farmacêutica havia sido ignorada pelo governo brasileiro. Ele chegou a participar de reuniões com representantes da empresa para tratar do assunto.

Para o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), a atuação de Wajngarten representa a "prova da existência" de um grupo de pessoas de fora do Ministério da Saúde atuando para assessorar Bolsonaro.

À CPI, o representante da Pfizer, Carlos Murillo, confirmou, por exemplo, que Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente que é vereador da cidade do Rio de Janeiro, chegou a participar de uma reunião com a sua equipe para tratar da compra de vacinas.

Mandetta também disse que viu diversas vezes Carlos Bolsonaro participando e fazendo anotações em reuniões ministeriais.

Cloroquina Mandetta contou ainda sobre uma reunião em que se discutiu uma minuta de decreto para mudar a bula da cloroquina a fim de prever o seu uso no combate à Covid.

A reunião foi confirmada pelo diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres. Ele disse que de imediato reagiu à proposta de alterar a bula afirmando que não seria possível.

O ex-ministro Nelson Teich também foi ouvido. Ele contou que decidiu deixar o cargo justamente por ter se sentido pressionado por Bolsonaro a promover o uso da cloroquina.

O atual ministro da pasta, Marcelo Queiroga, evitou falar sobre a cloroquina, o que irritou senadores, que avaliam chamá-lo novamente.

Vacinas da Pfizer Em seu depoimento, o ex-secretário Fabio Wajngarten confirmou que uma carta da Pfizer questionando o governo brasileiro sobre o interesse na aquisição de vacinas ficou dois meses sem resposta.

Carlos Murillo, da Pfizer, confirmou o envio da carta e relatou ainda que a farmacêutica tentou por seis vezes, sem sucesso, vender o imunizante ao governo brasileiro.

Segundo ele, se a primeira oferta, feita em agosto do ano passado, tivesse sido aceita, 18,5 milhões de doses poderiam ter sido, em tese, entregues até o 1º trimestre deste ano.

Próximos depoimentos

Na próxima semana, estão previstos os seguintes depoimentos:

- Terça-feira (18/5): Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores

Ele deverá ser questionado sobre os atritos na relação entre Brasil e China durante a sua gestão e o impacto disso na compra de insumos para a produção de vacinas.


- Quarta-feira (19/5): Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde

Um dos depoimentos mais aguardados, ele foi o ministro que mais tempo ficou no cargo. Foi durante a gestão dele que a Pfizer fez as ofertas de vacina para o Brasil e que ficaram sem repostas do governo. Ele também deve ser perguntado sobre a gestão da crise no Amazonas com gerada pela falta de oxigênio.


- Quinta-feira (20/5): Mayra Pinheiro, secretária de gestão do Trabalho e da educação na saúde do Ministério da Saúde

A médica é conhecida nas redes sociais como "Capitã Cloroquina" por defender o uso desse medicamento contra a Covid mesmo após estudo apontar que não tem eficácia contra a doença.

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