• Eduardo César

Gabinete



Após oito anos, dois meses e cinco dias, volto a entrar no gabinete do prefeito na prefeitura da cidade de Ubatuba. Local que deixei após longos, difíceis e gratificantes oito anos de trabalho.

Saí com um número de realizações até hoje não alcançado, tendo sido, sem dúvidas, o governo que mais realizou e por outro lado, o governo que foi também mais atacado, algo que vale uma reflexão.

O tempo “senhor da razão” nos deu condições de comparar governos e encarregou-se de mostrar absolvições por processos midiáticos e também condenações por processos pouco conhecidos, todos na área administrativa.

Ao sair do gabinete, de cara perdi muitos “amigos” e passei a valorizar mais os que eram amigos da pessoa e não do poder.

Saí, mas percebi que me acompanharam algumas práticas padrão da administração pública que muito me orgulham.

Inexplicavelmente, a cidade inaugurou a prática de tapar com terra buracos no asfalto e, para asfaltar, contratar empréstimos que o povo irá pagar passando por outros buracos em razão da baixa qualidade do asfalto que não condiz com o alto preço.

Decretou-se o abandono da política de ciclovias e o desrespeito ao controle do crescimento desordenado com o final do programa de congelamento.

O desrespeito ao funcionalismo que vai desde o prefeito não ouvir mais o funcionário pessoalmente até o corte de benefícios como cestas básicas, café da manhã, cantina, entre outras atitudes importantes para o funcionalismo, afinal este é quem leva uma administração nos ombros, agora é prática corrente.

O número de navios caiu para menos de dez por cento até parar completamente.

Shows no verão, e até mesmo o espaço para shows, acabaram definitivamente. A cidade sumiu da mídia positiva e espontânea. Sumiram também os médicos nos postos de saúde. A UTI, que tínhamos o espaço só faltando condições financeiras para equipe, foi destruída. O Centro de Convenções, pensado e construído para turismo de negócios, sendo usado para casamentos ou batizados.

Não houve mais interesse em campeonatos internacionais de surf ou nos Jogos Regionais, jogos dos idosos, encenação da paz de Iperoig, desfiles cívicos e festivais; ações culturais sumiram ou encolheram.

O teatro ficou fechado por birra durante quatro anos. Reaberto, foi usado por mais quatro de forma questionável e entregue agora em estado deplorável de conservação, devendo inclusive a conta de luz. A única preocupação era política, de trocar a placa e apagar a história.

Homens públicos pobres de espírito entregaram nossa cidade para forasteiros gerentes que representavam partido político ou grupo político de caciques regionais.

Vivi, vi, ouvi e lamentei cada retrocesso. Não dava nem pra dizer aos prefeitos desse período e que engataram a marcha a ré que estavam equivocados.

Logo eu que saí de vinte anos de mandatos apaixonados por política era visto como alguém que devia ser atacado, difamado e enxovalhado, afinal, eu era alvo de processos, tive os bens bloqueados e era, na boca dos bajuladores de plantão popularmente chamados de “puxa saco”, alguém que não prestava mais politicamente.

Deus quis que eu e minha família seguíssemos vivos e caminhando para frente. Pude ver os prefeitos que me sucederam serem rejeitados nas urnas e estarem ambos atualmente inelegíveis, com bens indisponíveis e diminuindo seus votos.

Pude ver o final do discurso de escudeiros que queriam uma boquinha no governo, afinal, seus senhores com pose de pseudoestadistas, com um orçamento maior, faziam menos e eram processados por coisas piores. Caíram as teses, os cargos, os políticos; caiu a máscara e a cidade pode respirar. Felizmente, essa fase passou.

Mas este texto não se destina a falar de passado, apesar do passado nos ensinar muito. Escrevo como uma reflexão sobre o futuro.

Recebi o convite da atual prefeita para visitá-la no gabinete, aceitei, agradeci e de coração alegre, fui.

Ter a chance de poder falar de problemas, e são muitos, de possíveis soluções, de planos e até de sonhos é, para mim, um exercício da boa política. Ver uma agente pública com muita vontade de fazer o certo, mesmo conhecendo as limitações que nossa linda cidade possui me gerou esperança.

No primeiro contato, foi possível estabelecer comparações: vi na eleição da prefeita a esperança de uma população descrente dos políticos arrogantes com o povo.

Observei uma prefeita que vê as dificuldades e clama por apoio de todos os setores para direcionarmos nossa Ubatuba para o patamar que ela merece.

Vejo claramente que alguns grupos continuarão em ritmo de campanha, atacando, difamando e diminuindo qualquer pessoa que não seja seu ex-empregador, faz parte do jogo sujo da política.

Aos apolíticos e às pessoas que querem o bem de Ubatuba resta observar, participar, criticar de forma construtiva e, algumas vezes, colocar-se no lugar de alguém que, com boa vontade e transparência, vai governar um lugar com mais problemas do que recursos e ainda cheio de armadilhas e gatilhos deixados por políticos individualistas de carreira, apegados ao poder e longe do povo.

A nova política cobra muito mais seriedade, transparência, contato com o povo e boa vontade, qualidades que ela demonstra.

Que Deus ilumine a nova administração e capacite nossa prefeita.

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